Sociedade de Hidrologia Médica quer comparticipação em tratamentos termais

Setor gera cinco mil empregos diretos e na região centro do país representa 12% das dormidas
4 de junho de 2014 - 14h45



A Sociedade de Hidrologia Médica defendeu hoje a reposição da comparticipação do Estado em tratamentos termais, depois de o Governo ter determinado o seu fim em 2011.



"É uma questão de justiça", sublinhou à agência Lusa Pedro Cantista, presidente da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica (SPHM), referindo que "há muitos doentes que poderiam ter benefícios com estes tratamentos, mas que não os realizam por não terem possibilidades financeiras para o fazer".



Para Pedro Cantista, a comparticipação dos tratamentos termais representa "uma gota de água no Orçamento do Estado", mas que, para além "do interesse da saúde", as termas "geram crescimento económico e vantagens sociais".



O presidente da SPHM lembrou que o setor gera cinco mil empregos diretos e que na região Centro e região Norte "representa 12% das dormidas".



"Parece que estamos em contracorrente com o resto da Europa", observou o também presidente da Sociedade Internacional de Hidrologia Médica, afirmando que o setor devia ser "uma prioridade", não apenas em termos de políticas de saúde, mas também no âmbito do turismo e do desenvolvimento económico regional, principalmente "no interior do país".



Segundo Pedro Cantista, na Polónia e na Eslovénia "o turismo de saúde tem uma capacidade de exportação tal que consegue cofinanciar cerca de 20% dos sistemas nacionais de saúde desses países".



Portugal "tinha capacidade para concorrer com esses países. Foram feitos investimentos consideráveis no setor, há profissionais com muito boa preparação, há boas vias de acesso e temos muito bons equipamentos", destacou.



O setor das termas "tem possibilidade de recuperar e de crescer", sendo que o desenvolvimento de "um mercado externo não está a ser usado", apesar de "todas as potencialidades que o país tem", acrescentou.



De acordo com o médico, "deveria haver um sinal de reconhecimento" dos tratamentos termais por parte do Governo.



A SPHM, à qual Pedro Cantista preside, vai organizar o 7.º Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica, entre quinta-feira e sábado, nas Termas do Luso.



Nesse congresso, vai ser criado o Colégio Europeu de Hidrologia Médica para que "haja um ‘standard’ [padrão] de qualidade no espaço europeu" relativamente aos tratamentos de hidrologia médica, informou o responsável.



A hidrologia médica pode ser usada para doenças musculoesqueléticas, doenças respiratórias, doenças de pele ou digestivas, sendo que as diferentes doenças são tratadas por diferentes termas, de acordo com as características de cada uma.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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