Socialistas alertam para aumento da pobreza e situação “assustadora” nas urgências

O líder parlamentar do PS, Eduardo Ferro Rodrigues, advertiu esta sexta-feira o primeiro-ministro para o aumento do risco de pobreza, confrontando-o com uma situação "assustadora" nas urgências hospitalares e dados "preocupantes" sobre a economia.
créditos: TIAGO PETINGA/LUSA

No debate quinzenal na Assembleia da República, o socialista começou por sublinhar "a debandada" de responsáveis hospitalares devido "à situação assustadora" nas urgências e nos hospitais.

"Esses profissionais deram um exemplo de dignidade ao não pactuarem com a falta de condições", afirmou o presidente do grupo parlamentar, que acusou o executivo de impor "um garrote" que está a fazer "colapsar" o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na resposta, o primeiro-ministro contrapôs que as transferências diretas para o SNS aumentaram e criticou o PS por "procurar uma relação de causalidade entre as condições financeiras" e o estado dos serviços.

O chefe do Governo afirmou que hoje "há mais camas, mais médicos, mais atos praticados, mais assistência garantida" e que "o ajustamento que foi feito foi garantido através de fornecedores do SNS e das restrições salariais que foram idênticas a toda a administração pública".

"Que há problemas? Claro que há problemas, mas nesta altura os hospitais não estão falidos, quando chegamos cá eles estavam falidos, faz uma certa diferença, não faz?", interrogou Passos Coelho, provocando protestos da bancada socialista e fortes aplausos da maioria.

"Nunca dissemos que temos um SNS perfeito", afirmou Pedro Passos Coelho, que sublinhou que o Governo "não ignora" os problemas do SNS e "procura resolvê-los".

Durante o debate no parlamento, o líder da bancada socialista alertou ainda para o aumento do risco de pobreza: "Só entre 2011 e 2013 aumentaram em 400 mil [portugueses], Portugal recuou cerca de uma década e as desigualdades aumentaram brutalmente".

Neste contexto, Ferro defendeu que "em 2014 a situação só piorou porque foram atacadas as pessoas com subsídio de desemprego, beneficiários do complemento solidário para idosos e do rendimento social de inserção".

"Ainda consegue dizer que quem se lixou não foi o mexilhão?", questionou.

Ferro Rodrigues considerou ainda "muito preocupantes" os indicadores sobre o investimento, que mostram que "em 2015 as perspetivas são inferiores a 2014".

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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