Sindicato fala em 60 a 100% de adesão à greve de alimentação e lavandarias hospitalares

Dezenas de trabalhadores manifestaram-se esta manhã no Porto

20 de agosto de 2014 - 13h21

A greve de hoje dos trabalhadores do Norte e Centro do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) teve uma adesão entre os 60 e 100% segundo fonte sindical, mas a empresa aponta para uma iniciativa com “pouca expressão”.

“Temos uma elevada adesão. Há unidades com uma adesão entre 60% e 100%”, indicou Francisco Figueiredo, do sindicato da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte, esclarecendo que foram garantidos “serviços mínimos”, durante a manifestação desta manhã de várias dezenas de trabalhadores junto à delegação do Porto da empresa.

Em comunicado enviado à Lusa, o SUCH, que detém a concessão da alimentação, lavandarias e resíduos, nota que “tem estado a acompanhar atentamente o desenvolvimento da greve hoje a decorrer por parte de alguns dos seus trabalhadores da Área da Nutrição e Ambiente, tendo a mesma revelado pouca expressão”.

Os trabalhadores reivindicam a melhoria das condições laborais, alertando que para esta empresa trabalham mais e recebem menos, ao passo que o sindicato denunciou “pressões” do SUCH, nomeadamente na substituição de funcionários em greve por outros “de folga ou férias”.

“Há muitas cantinas onde a empresa está a substituir os trabalhadores em greve por trabalhadores com contratos a prazo de folga e férias”, alertou Figueiredo, afirmando que que o Hospital de S. João, no Porto, “hoje não teria” self-service “para médicos enfermeiros e funcionários se não fosse isso”.

O SUCH garante que “os serviços mínimos” da prestação da empresa “está a ser assegurada, quer em quantidade quer em qualidade.

No comunicado, o SUCH nota que a greve se realiza “apesar de todos os esforços desenvolvidos nas negociações efetuadas e nas propostas apresentadas, que avançarão a partir de 01 de setembro”.

Durante a manifestação, Figueiredo denunciou uma “grande pressão da empresa para desmobilizar os trabalhadores”, através do “aumento de cinco euros para os trabalhadores das lavandarias para os desmobilizar”.

O sindicalista admite que as negociações entre trabalhadores e empresas já tiveram resultados, uma vez que o SUCH “repôs mais dez euros e depois mais cinco no subsídio de refeição”.

“Mas ainda deve mais 15 euros”, vincou, explicando estar também em causa o “pagamento de feriados a 200%” o aumento dos salários.

Na moção entregue à empresa, os trabalhadores “exigem a reposição total e imediata dos 32,12 euros mensais roubados aos trabalhadores”, uma “atualização justa dos salários”, bem como a “reposição da contratação coletiva, incluindo o pagamento dos feriados com efeitos a 01 de agosto”.

A isto soma-se a reivindicação pelo “reinício imediato das negociações do Acordo de Empresa tendo em vista um acordo global entre as partes até 31 de dezembro”.

Funcionária de “refeitório e cozinha” num hospital do Porto, Ana Maria, de 52 anos, explicou à Lusa que, quando a empresa começou a operar naquela unidade, “há três anos”, o que aconteceu “foi só tirar direitos aos trabalhadores”.

“Trabalhamos mais, trabalhamos o dobro, com metade do pessoal e recebemos menos”, assegurou.

Ana Cardoso, de 28 anos, trabalhadora numa cantina hospitalar, alertou ainda para o regime de folgas, que “não está a ser cumprido”, devido a “um horário semanal de 45 horas para duas folgas”.

Por Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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