Sífilis ainda é problema de saúde pública em Portugal e não uma doença dos avós

Dados oficiais mostram que entre 2009 e 2012 foram notificados cerca de 700 casos de sífilis recente

8 de maio de 2014 - 14h30

A sífilis ainda é um problema de saúde pública em Portugal, que não
tem conseguido diminuir o número global de casos, nomeadamente nos
recém-nascidos, e regista até um aumento em grupos particulares, como os
homossexuais.

“Sífilis no século XXI” é um dos temas do Congresso
da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venerologia que decorre
sexta-feira e sábado em Braga e no qual as doenças sexualmente
transmissíveis são um dos assuntos centrais.

“Não é uma infeção
antiga. As pessoas pensam na sífilis nos avós e bisavós, mas ainda é uma
realidade hoje em dia”, disse à agência Lusa a dermatologista Carmen
Lisboa.

Os dados oficiais mostram que entre 2009 e 2012 foram
notificados cerca de 700 casos de sífilis recente – adquirida no último
ano - , mas há sempre tendência para a subnotificação.

“Temos
seguido o que ocorre nos outros países europeus, em que não tem havido
uma grande variação global do número de sífilis recente”, refere Carmen
Lisboa.

Tem-se ainda verificado um aumento em grupos particulares
de pessoa, como nos homens que têm sexo com homens, também à semelhança
do que acontece no resto da Europa.

“Apesar de haver um
tratamento, que é barato e simples, e não está registada resistência
antibiótica da sífilis, não temos conseguido extinguir a doença e ela
continua prevalente e a ser um problema de saúde pública”, resume a
especialista.

O tratamento, que passa pela penicilina, é conhecido
há já muitos anos e os peritos admitem que a doença deveria estar mais
controlada, mas não tem sido possível por vários fatores, como os
associados à prática sexual.

Aliás, a modificação do comportamento
sexual e o aparecimento da sida, provocada pelo vírus VIH, induziram um
novo aumento na incidência desta infeção na globalidade dos países.

O que difere Portugal da generalidade dos países europeus é a sífilis congénita, que passa de mãe para filho durante a gravidez.

“Portugal
não surge bem em termos de sífilis congénita, que é um indicador de
alguns cuidados de saúde primária notificação de casos não tem
diminuído”, adianta Carmen Lisboa.

Nos anos de 2009 a 2012 foram
notificados 46 casos de sífilis em recém-nascidos e pelo menos desde
2002 não tem havido uma redução significativa.

Segundo a
dermatologista, o contágio mãe-filho pode ser evitado ao fazer-se um
diagnóstico adequado durante a gravidez, com o normal rastreio à doença
através de análises de sangue.

Muitos dos casos de sífilis
congénita registados em Portugal são de partos de grávidas imigrantes,
que não foram seguidas no sistema de saúde português.

A sífilis pode evoluir sem qualquer sintoma mesmo durante vários anos e é uma doença que mascara outras patologias.

São
os dermatologistas que fazem mais frequentemente o seu diagnóstico,
porque quando a doença se manifesta é geralmente na pele, através de
manchas ou feridas.

Lusa

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