Sexo feminino e masculino apareceu com o cromossoma Y há 180 milhões de anos

A diferença entre sexos depende de um único elemento do genoma: o cromossoma Y
24 de abril de 2014 - 14h34



Uma pesquisa feita por investigadores do Instituto Suíço de Bioinformática hoje divulgada estima que o cromossoma Y, que distingue os machos das fêmeas a nível genético, apareceu há cerca de 180 milhões de anos.



A equipa, liderada por Henrik Kaessmann, professor associado do Centro de Genómica Integrativa, no Instituto Suíço de Bioinformática, analisou amostras de vários tecidos masculinos, nomeadamente os testículos, de espécies diferentes e recuperaram os genes do cromossoma Y das três principais linhagens de mamíferos.



A primeira foi a dos placentários, que incluem seres humanos, macacos, roedores e elefantes, seguindo-se a dos marsupiais (como gambás e cangurus) e, por último, os monotremados (mamíferos que põem ovos, como o ornitorrinco e a equidna, uma espécie de porco-espinho australiano).



No total, os investigadores trabalharam com amostras de 15 mamíferos diferentes, representando três linhagens, mas incluíram o frango para estabelecer a comparação, descreve o estudo hoje publicado pelo SciencieDaily.



Ao invés de sequenciarem todos os cromossomas Y, o que teria sido uma “tarefa colossal”, os pesquisadores compararam as sequências genéticas de tecidos masculinos e femininos para eliminar todas as sequências comuns a ambos os sexos, visando manter apenas as sequências correspondentes ao cromossoma Y.



Deste modo, os pesquisadores conseguiram estabelecer o maior atlas genético deste cromossoma masculino à data, concluindo que o mesmo gene que determina o sexo, chamado SRY, fora formado há 180 milhões de anos no antepassado comum dos placentários e marsupiais.



Em seres humanos e outros mamíferos, a diferença entre sexos depende de um único elemento do genoma: o cromossoma Y, que está presente apenas nos machos, com dois cromossomas sexuais X e Y, enquanto as fêmeas têm dois cromossomas X.



O Y é responsável por todas as diferenças morfológicas e fisiológicas entre machos e fêmeas, no entanto, há muito tempo o X e Y eram tidos como idênticos até que o Y se começou a diferenciar.



Segundo a equipa, outro gene, AMHY, responsável pelo aparecimento de cromossomas Y dos monotremados terá aparecido a 175 milhões de anos.





Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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