Serra Leoa confirma primeira morte provocada pelo Ébola

Vítima era uma curandeira tradicional que tinha ido a um funeral no país vizinho
27 de maio de 2014 - 08h11



As autoridades da Serra Leo confirmaram hoje a primeira morte causada pelo vírus Ébola, tendo restringido as viagens em algumas áreas, para evitar que a febre hemorrágica que está a afetar o oeste africano faça mais vítimas.



Segundo as autoridades da Serra Leoa, onze pessoas com diarreias severas e vómitos deram entrada num centro de saúde numa zona que faz fronteira com a Guiné Conacri.



Quatro pessoas morreram, tendo-se confirmado que a morte de uma delas foi provocada pelo Ébola, enquanto outras cinco têm respondido aos tratamentos.



A causa da morte das outras três está ainda a ser investigada.



A ministra da Saúde e Saneamento, Miatta Kargbo, pediu que a população se mantenha “vigilante” e reafirmou a proibição, definida anteriormente, de viagens para assistir a funerais na Guiné Conacri, o epicentro do surto no oeste africano.



As regiões de Kailahun, onde surgiu o primeiro caso confirmado, e de Kenema foram designadas como de “alto risco” e as viagens nessas zonas foram também proibidas.



“Estamos a começar a descobrir que os casos recentes no país são relativos a pessoas que foram a funerais na Guiné Conacri”, revelou a ministra.



A governante disse que a vítima era uma curandeira tradicional que tinha ido a um funeral no país vizinho.



A febre hemorrágica mortal, que não tem cura, começou na Guiné Conacri em janeiro, onde matou 81 pessoas, de acordo com dados do governo divulgados há três semanas, e espalhou-se para a Libéria.



O vírus do Ébola é uma febre que provoca vómitos, diarreia, dores musculares e, em casos graves, a falência dos órgãos e hemorragia interna incontrolável.



Pode ser transmitido pelo sangue e outros fluidos corporais, bem como através do manuseamento de cadáveres de animais infetados ou contaminados, conhecidos como transmissores da doença.



O aparecimento da doença foi descrito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos mais desafiantes desde a descoberta do vírus em 1976, naquela que é hoje a República Democrática do Congo.



Segundo a OMS, a 23 de maio havia 258 casos de febre hemorrágica na Guiné Conacri, 174 das quais resultaram na morte dos doentes.



Destes 258 casos, a Guiné Conacri confirmou 146 casos de Ébola, 95 deles mortais.



Na Libéria, que faz fronteira tanto com a Guiné Conacri como com a Serra Leoa, foram confirmados seis casos de Ébola entre 12 casos de febre hemorrágica, nove deles mortais.



Por SAPO Saúde com Agências
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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