Sensibilidade ao sal e hipertensão estão associadas a fatores genéticos, revela estudo

Prevalência da hipertensão na população portuguesa é de 42,2%, mais de metade não está controlada
20 de fevereiro de 2014 - 09h13



Um estudo veio demonstrar pela primeira vez que existe uma relação comprovada entre os fatores genéticos e uma maior propensão para desenvolver hipertensão arterial e uma maior sensibilidade ao sal.



O estudo, que é hoje apresentado no 8.º Congresso Português de Hipertensão, comprova ainda que a prevalência de hipertensão na população portuguesa é de 42,2% e que 57,4% dos hipertensos não estão controlados.



Realizado pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), o estudo consistiu em analisar 16 variantes genéticas de 12 genes, retirados de amostras do estudo PHYSA (Portuguese Hypertension and Salt Study), apresentado no ano passado.



Segundo o presidente da SPH, Fernando Pinto, estes resultados são ainda preliminares porque não envolvem a amostra global do estudo PHYSA: foram estudados 1.852 amostras de um total de 3.720, “cerca de metade, o que já permite afirmar com firmeza e clareza as conclusões a que chegámos”.



“Este estudo tem várias características que o tornam único: é a maior amostra em Portugal e é representativa da população portuguesa [Portugal Continental], doentes e não doentes; por outro lado mostra que, de um conjunto grande de genes estudados, em alguns em que a relação não era clara, há duas variantes desses genes relacionados diretamente com a probabilidade de desenvolver hipertensão”, afirmou à Lusa.



Ou seja, “as pessoas que têm estes genes têm maior probabilidade do que o resto da população” de desenvolver a doença, sublinhou.



A primeira análise do estudo revela que existem duas variantes genéticas associadas a um risco aumentado de hipertensão (de 22% e 16%), o que significa que, quem possuir uma destas duas variantes, tem 22% ou 16% de maior probabilidade de vir a desenvolver a doença.



Por outro lado, o estudo indica também que existe uma outra variante genética associada a um risco diminuído de hipertensão, que diminui em 25% a propensão para a hipertensão.

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