Sedação nas colonoscopias proposta pelo Governo pode pôr em risco doentes, alerta Ordem

Sedação deverá ser garantida por outro profissional médico que não o gastrenterologista
17 de março de 2014 - 13h50



A Ordem dos Médicos avisou hoje que o Ministério da Saúde está a propor uma sedação inadequada para as colonoscopias, que pode pôr em risco os doentes.



Segundo o bastonário da Ordem, a tabela de preços associada ao despacho que vem permitir a sedação nas colonoscopias realizadas nos hospitais públicos prevê que a sedação seja feita por gastrenterologistas e não por anestesistas.



“Fazer sedação por um gastrenterologista é má prática clínica. Não é possível que o mesmo gastrenterologista que está a fazer colonoscopia esteja a sedar o doente, porque o doente ficava em risco. O gastrenterologista não pode estar em simultâneo a fazer um exame e a vigiar os sinais vitais do doente”, afirmou José Manuel Silva à agência Lusa.



Aliás, a Ordem recomenda a todos os médicos gastrenterologistas que não aceitam realizar, em simultâneo, uma colonoscopia tendo na sua responsabilidade a sedação dos doentes: “essa tarefa deverá competir a outro profissional médico”.



Embora saúde a preocupação do Ministério da Saúde com a adesão dos cidadãos aos exames que permitem detetar o cancro colo-retal, a Ordem dos Médicos lamenta que o Colégio de Gastrenterologia não tenha sido ouvido nesta matéria.



“A Ordem está totalmente disponível para elaborar uma norma de orientação clínica”, salientou o bastonário.



José Manuel Silva referiu ainda que o novo despacho do Ministério da Saúde sobre colonoscopias pode ter um “efeito potencialmente perverso” de atrasar ainda mais o acesso a estes exames, considerando que a tabela de preços associada pode fazer com que o setor privado deixe de ter interesse em fazer colonoscopias por convenção.



Segundo o despacho publicado em Diário da República na semana passada, todas as colonoscopias no Serviço Nacional de Saúde passam a poder ser feitas com recurso a sedação a partir de 1 de abril, uma forma de reduzir o receio com a realização deste exame.



“A 1 de abril de 2014 entra em vigor um novo pacote de cuidados ao abrigo da convenção para a endoscopia gastrenterológica, que garante a colonoscopia associada à analgesia do doente, reduzindo o efeito dissuasor à realização do exame. Este novo pacote de cuidados inclui a realização da colonoscopia e todos os seus procedimentos adequados [como a sedação], representando um elevado esforço financeiro do Ministério do Ministério da Saúde”, refere o diploma.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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