Santa Maria com dúvidas sobre aplicação da telemedicina nos Açores

Órgão consultivo aconselha que primeira consulta seja sempre presencial
16 de julho de 2013 - 14h28



O Conselho de Ilha de Santa Maria defendeu hoje que a aplicação da telemedicina nos Açores não pode substituir a presença de médicos, considerando haver um "claro contrassenso" na proposta de reestruturação do Serviço Regional de Saúde nesta matéria.



"A real aplicação da telemedicina deverá avançar, mas nunca poderá ser substituta do presencial, sendo que a primeira consulta, a nível de especialidades, deverá ser sempre presencial", defende este órgão consultivo num parecer aprovado por unanimidade sobre a proposta de reestruturação do Serviço Regional de Saúde (SRS), apresentada pelo Governo açoriano em maio e que se encontra em debate público.



Para os conselheiros de Santa Maria, "há um claro contrassenso no documento nestes três vetores de orientação: a utilização da telemedicina, a deslocação de especialistas à ilha de Santa Maria e de doentes para fora da ilha".



"A forma e modelo apresentados a aplicar nas deslocações de doentes, inter-ilhas, estabelecendo regras e critérios bem definidos nos sistemas de transportes com consequente acompanhamento clínico, poderão libertar e facilitar os recursos humanos da Unidade de Saúde de Ilha para um melhor acompanhamento do doente", defendem.



O Conselho de Ilha levanta ainda dúvidas em relação ao modelo proposto para um "cal center da saúde" nos Açores, por considerar que "está direcionado para os grandes meios, prejudicando a autonomia dos meios de saúde e de socorro das ilhas mais pequenas", como é o caso de Santa Maria.



"A dependência dos meios, obstinada a uma decisão exterior mais demorada e menos assertiva da realidade local, poderá originar uma perda de eficiência e eficácia numa atuação que se quer célere", sublinha.



Os conselheiros de Santa Maria dizem, por outro lado, discordar da adoção na ilha do chamado sistema 'point of care' nas análises clínicas (análise rápida de sangue junto do doente), entre as 16h00 e as 08h00.



"Este sistema, além de levantar algumas dúvidas aos técnicos, é aplicado normalmente em serviços de saúde onde existem outros meios alternativos a que se poderá recorrer em caso de falha ou dúvida", lê-se no documento, enviado ao secretário Regional da Saúde, Luís Cabral.



O Conselho de Ilha sublinha, ainda, "a necessidade urgente" de aumentar os cuidados continuados na ilha e defende a instalação de uma câmara hiperbárica em Santa Maria, lembrando o "elevado número de praticantes de atividades subaquáticas" e que, por outro lado, era uma promessa do executivo anterior, também socialista, que terminou funções em novembro passado.



Os conselheiros dizem, por outro lado, ser "elevado o rácio proposto para o número de utentes por médico", que comprometerá a presença de um quarto clínico na ilha.



A par desta “análise pormenorizada” da proposta para o SRS, o Conselho de Ilha faz uma "análise global" do documento em que regista, "na sua elaborada conceção, a identificação de problemas e necessidades", considerando "ser importante a reestruturação deste serviço, para uma melhor gestão de recursos humanos e financeiros".



Os conselhos de ilha são órgãos consultivos que integram os presidentes das câmaras e das assembleias municipais, deputados das assembleias municipais e representantes de associações e movimentos sindicais, empresariais e agrícolas de cada ilha dos Açores.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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