Salvaterra de Magos pode ficar com apenas três médicos para 21.000 utentes

41 por cento dos utentes inscritos no centro de saúde não têm médico de família
17 de janeiro de 2014 - 14h27



O Ministério da Saúde admitiu que o Centro de Saúde de Salvaterra de Magos pode ficar, “a curto prazo”, com apenas três dos atuais sete médicos ao serviço para um universo de mais de 21.000 utentes.



O quadro sobre os cuidados médicos no concelho, constante de uma resposta do Ministério da Saúde a um requerimento entregue no final de outubro de 2013 pelos deputados socialistas eleitos pelo círculo de Santarém, levou a concelhia do PS de Salvaterra de Magos a emitir um comunicado em que sublinha que “se as preocupações das populações já eram muitas”, a informação agora recebida “ainda as agrava”.



No comunicado, enviado hoje à agência Lusa, a Concelhia socialista exige do Ministério da Saúde “um total esclarecimento” sobre a previsão anunciada para curto prazo de apenas três médicos de família para os mais de 21 mil utentes do concelho.



Lamentando a “miserável tentativa de responsabilizar os médicos pelas dificuldades que os cidadãos têm de aceder aos cuidados de saúde primários” (ao referir a ausência de candidatos aos concursos abertos), o PS entende que o Ministério “demonstra uma total incapacidade de resolução dos problemas”.



Na resposta aos deputados socialistas, o Ministério da Saúde afirma que, atualmente, 41 por cento dos 21.131 utentes inscritos no centro de saúde de Salvaterra de Magos não têm médico de família, encontrando-se o maior número de utentes sem médico em Glória do Ribatejo, Marinhais e Foros de Salvaterra, sendo que nesta extensão (onde estão a ser construídas novas instalações) se encontra um médico aposentado contratado.



“A curto prazo prevê-se que ao Centro de Saúde de Salvaterra de Magos fiquem afetos apenas três médicos, sendo que dois deles têm problemas de saúde, o que os tem mantido afastados do serviço por longos períodos de tempo”, refere.



O Ministério adianta que das cinco vagas atribuídas ao Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Lezíria no último concurso apenas uma foi ocupada, o mesmo tendo acontecido no concurso anterior, “por inexistência de candidatos”.



O Ministério afirma que, para melhorar o apoio às populações, a 21 de outubro entrou em funcionamento a Unidade de Cuidados na Comunidade de Salvaterra de Magos (o único concelho do ACES Lezíria que não tinha este tipo de estrutura, que, nomeadamente, faz visitas aos domicílios), graças a uma reafetação dos enfermeiros colocados nas extensões de saúde, e que foi contratado um enfermeiro no início de novembro.



Adianta ainda que, apesar da falta de candidatos às vagas atribuídas, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e a direção executiva do ACES Lezíria estão a “procurar soluções céleres” que permitam melhorar a prestação de cuidados de saúde e lembra que tanto a comissão de utentes da saúde como a Câmara Municipal se disponibilizaram para proporcionar alojamento e transporte gratuito aos médicos que queiram trabalhar no concelho.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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