Risco cardiovascular aumenta nos doentes renais

A Sociedade Portuguesa de Nefrologia alerta para a relação entre a prevalência da doença renal e o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, uma situação que pode, em muitos casos, causar a morte do doente sem chegar ao processo de diálise.

De acordo com Fernanda Carvalho, nefrologista e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, “a probabilidade de morte por doença cardiovascular é cerca de 15 a 30 vezes mais elevada nos doentes que sofrem de doença renal, em causa está a prevalência dos habituais fatores de risco da doença cardiovascular aliados à progressiva deterioração da função renal”.

“É importante salientar que o risco de desenvolvimento das doenças cardiovasculares nos doentes renais está relacionado com o grau de alteração da função renal, ou seja, quando a progressão da doença já é significativa, os riscos de sofrer de doença cardiovascular aumentam proporcionalmente”, acrescenta a especialista, referindo ainda que “ muitos doentes renais morrem devido a doenças cardiovasculares e, em alguns casos, nem chegam a fazer diálise”.

30 minutos por dia

A Sociedade Portuguesa de Nefrologia recomenda: andar a pé pelo menos 30 minutos por dia, durante cinco vezes por semana e beber bastantes líquidos. Estes são alguns dos procedimentos simples que podem ajudar a prevenir o aparecimento da doença renal e que consequentemente diminuem o risco de doença cardiovascular.

Em Portugal, estima-se que cerca de 800 mil pessoas deverão sofrer de doença renal crónica, considerando qualquer uma das suas cinco fases ou estádios de evolução. A progressão da doença é muitas vezes silenciosa, isto é, sem grandes sintomas, o que leva o doente a recorrer ao médico tardiamente, já sem possibilidade de qualquer recuperação.

Todos os anos surgem mais de dois mil novos casos de doentes em falência renal. Em Portugal existem atualmente cerca de 16 mil doentes em tratamento substitutivo da função renal (cerca de 2/3 em diálise e 1/3 já transplantados), e cerca dois mil aguardam em lista de espera a possibilidade de um transplante renal.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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