Responsabilidade partilhada no combate da obesidade

A indústria agro-alimentar deveria patrocinar campanhas que promovam uma alimentação saudável.

Esta é uma das conclusões do Healthcare Briefing sobre «Obesidade Infantil - Prevenção em Parceria».

As estratégias de combate à obesidade devem conciliar a educação e a legislação, para se evitar um crescimento maior da doença. O alerta foi lançado pela directora do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria (Centro Hospitalar Lisboa Norte), Isabel do Carmo, que participou esta manhã no Healthcare Briefing «Obesidade Infantil – Prevenção em Parceria».

Os vários estudos realizados a nível internacional têm demonstrado que a tendência actual indicia um crescimento no número de crianças com excesso de peso ou obesas. Isabel do Carmo, que estuda há vários anos a problemática da obesidade, relembrou que a união entre a educação para a saúde e a legislação têm consequências mais imediatas e deu o exemplo da educação rodoviária e do tabagismo.

No encontro, que contou com a presença de vários profissionais de saúde, a endocrinologista relembrou a importância de se ter a parceria da indústria agro-alimentar para se combater a doença. A indústria poderia, no seu entender, ajudar a patrocinar campanhas que alertassem os portugueses para a importância de se fazer uma alimentação saudável.

Para que as crianças do presente não tenham excesso de peso em adultos, Isabel do Carmo defende a necessidade de se ensinar também os pais e os avós. Se estes não derem o exemplo, as crianças dificilmente irão adoptar comportamentos saudáveis. «Mesmo em crise, podemos comprar alimentos saudáveis e baratos. É preciso ensinar isto aos pais», constatou.

A educação dos pais e avós também foi uma temática abordada pela pediatra do Hospital dos Lusíadas, Margarida Lobo Antunes. Se os pais não tiverem comportamentos saudáveis, os filhos também não os irão ter. A pediatra considera que o grande problema reside, muitas vezes, nos avós e deixou o exemplo: os avós que dão, às escondidas dos pais, demasiados doces aos seus netos. A publicidade também devia ser regulamentada, no entender de Margarida Lobo Antunes, para evitar casos como o de uma paciente que compensa a falta de leite com chocolate de leite.

A prevenção da obesidade infantil deve envolver vários parceiros e os médicos de família devem ter um papel-chave, medindo regularmente o Índice de Massa Corporal (IMC), de acordo com a pediatra. Margarida Lobo Antunes alertou ainda para a necessidade de se confrontar os educadores com as consequências do excesso de peso na vida adulta dos filhos, como as doenças respiratórias, cardiovasculares, gastrointestinais, endócrinas e psicológicas.

A coordenadora do Programa de Combate à Obesidade Infantil na Região do Algarve, Teresa Sofia Sancho, moderou a sessão e falou da necessidade de haver «parcerias cerradas» no combate a este problema de saúde pública. Só desta forma é possível envolver vários sectores e vários profissionais, como nutricionistas e psicólogos. «Não podemos contratar muitos profissionais, mas podemos estabelecer parcerias, para trabalharmos em conjunto», referiu.

O evento, organizado pelo Fórum Hospital do Futuro, contou com a parceria dos HPP Saúde.

2010-10-21

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