Resíduos hospitalares perigosos

Recolha e transporte feitos na presença dos utentes em mais de metade dos hospitais

Em mais de metade dos hospitais públicos inquiridos num estudo, a recolha e transporte dos resíduos perigosos é feita durante as horas de presença dos utentes, o que aumenta os riscos colocados à saúde humana por estes materiais.

“Em cerca de 67 por cento das instituições hospitalares que produzem resíduos perigosos, a recolha e transporte interno de resíduos é feita durante as horas de presença do público”, refere o “Diagnóstico da Situação 2010 – Prevenção, Produção, Recolha e Tratamento de Resíduos Hospitalares em Portugal Continental”, da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.

O relatório refere ainda que “em 74 por cento destes hospitais são utilizados, durante as operações de recolha e transporte, corredores e/ou escadas comuns às utilizadas pelo público”.

Nos hospitais privados, a recolha e transporte interno de resíduos é feita em 56 por cento durante as horas de presença do público, em 33 por cento essas operações utilizam corredores e/ou escadas comuns às utilizadas pelos utentes.

Segundo o relatório, os resíduos hospitalares apresentam riscos de contaminação por microorganismos, de contacto com materiais cortantes ou perfurantes ou com substâncias radioativas, de contacto com substâncias químicas que podem ser ingeridas ou mesmo com substâncias carcinogénicas, entre outros.

O documento acrescenta que a recolha e transporte destes resíduos devem ser feitos "pelo menos uma vez por dia", mas "se nessa ocasião o público está presente e, principalmente, se o circuito usado no transporte partilha espaços comuns com o público, o risco é superior".

Os profissionais de saúde são o principal grupo de risco, já que são eles que produzem, separam e transportam os resíduos, devendo, segundo a Organização Mundial de Saúde, usar luvas e vestuário de proteção quando manuseiam estes materiais.

Segundo o relatório, disponibilizado no site da Entidade Reguladora da Saúde, apesar de todas as unidades de saúde privadas afirmarem utilizar luvas, o mesmo não acontece nas públicas. A percentagem de unidades de saúde privadas que diz usar calçado apropriado é muito baixa, não ultrapassando os 17 por cento, enquanto nas públicas não chega a 50 por cento.

O documento revela ainda que só cerca de 17 por cento dos hospitais públicos produtores de resíduos perigosos têm um plano de contingência, previsto na lei, para o caso de acontecer "algum imprevisto na produção, armazenamento ou envio para tratamento de resíduos". Esta situação é mais preocupante nas unidades públicas do que nas privadas, revela o estudo.

O questionário que esteve na base deste relatório foi dirigido a um universo de 8.512 instituições de saúde, hospitalares e não hospitalares, de Portugal Continental. Mas responderam apenas 1.489 instituições.

21 de junho de 2011

Fonte: Lusa/SAPO

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