Relatório aponta novas formas para reduzir custos com incontinência nos sistemas de saúde

Relatório indica que a incontinência não tem sido uma prioridade para os sistemas de saúde
11 de junho de 2014 - 16h22



No Fórum Global da Incontinência, que decorreu em abril, foi apresentado um relatório que revela que os profissionais de saúde podem melhorar a dignidade dos doentes e economizar milhões se adoptarem a uma abordagem correta nos cuidados com a incontinência.



O documento intitulado “Especificação do Serviço de Incontinência Ideal” envolveu especialistas multidisciplinares de todo o mundo e delineia uma série de princípios baseados em evidência sobre a melhor forma de organizar os cuidados de proximidade para pessoas com incontinência e reduzir custos para os sistemas de saúde e assistência social.



Para João Paulo Nunes, diretor da Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias, que esteve presente no Fórum Mundial, “a incontinência tem um grande impacto na qualidade de vida das pessoas e a nível económico, com custos diretos, indiretos e intangíveis elevados. Repensarmos a organização dos cuidados para incontinência e a adoção de medidas sugeridas neste relatório faz especial sentido tendo em consideração a situação económica do país e o envelhecimento da população portuguesa”.



O especialista alerta ainda que “o relatório indica que a incontinência não tem sido uma prioridade para os sistemas de saúde e tem-se verificado uma tendência de redução dos recursos disponíveis para estes cuidados”.



Enfermeiro devem estar preparados



O Relatório sugere que o papel do enfermeiro deve tomar maior relevo no tratamento da incontinência, com uma transferência da responsabilidade dos cuidados básicos de incontinência para enfermeiros especialistas em incontinência nos cuidados primários. O relatório recomenda a existência de um coordenador, que acompanhe todo o processo desde o diagnóstico e tratamento do doente e que faça a coordenação junto dos vários especialistas, num modelo centrado no doente.



“A importância da promover a autogestão da doença, por exemplo, através da utilização da Telemedicina, e uma maior aposta na formação dos profissionais de saúde específica para a incontinência são elementos destacados no relatório e que deveriam ser implementados em Portugal”, defende João Paulo Nunes.



A incontinência urinária afeta 600 mil portugueses ou quase 20% da população portuguesa com mais de 40 anos.



Por SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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