Refrigerantes estão relacionados com 180 mil mortes por ano em todo o mundo

Estudo associa consumo de bebidas açucaradas a mortes por diabetes, cancro e doença coronária
21 de março de 2013 - 11h22



Cientistas da Universidade de Harvard concluíram que, em 2010, 180 mil pessoas morreram em todo o mundo devido a doenças provocadas pelo consumo excessivo de refrigerantes e bebidas açucaradas: 133 mil por causa de diabetes, 43.000 por doenças cardíacas e 6000 por causa de cancro.



O estudo foi apresentado na reunião da American Heart Association's Epidemiology and Prevention/Nutrition, Physical Activity and Metabolism, na terça-feira, em Nova Orleães.



Os investigadores tiveram em consideração os diferentes valores nutricionais da alimentação nas várias regiões do mundo e relacionaram-nas com as características do consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas nos vários países. Os cientistas concluíram ainda que a maior parte das mortes registadas aconteceram em países onde a distribuição do PIB por habitante se situava nos valores mais baixos do mundo.



Segundo Gitanjali Singh, coordenadora do estudo, os dados são surpreendentes, já que “muitas vezes se associa o problema do consumo exagerado de refrigerantes a países mais ricos”, comentou.



A investigadora defende que o estudo reforça a necessidade de se tomarem políticas públicas que procurem reduzir o consumo de bebidas industrializadas com alto teor de açucar.



Em Nova Iorque, nos Estados Unidos, esteve em discussão a aprovação de uma medida que proibia a venda de refrigerantes e bebidas energéticas em embalagens com capacidade superior a 470 mililitros em bares, cinemas e casas de espetáculo. A medida acabou por ser afastada pelo Supremo Tribunal de Justiça norte-americano, que considerou a lei arbitrária, já que a proibição valeria apenas para algumas bebidas.



Gitanjali Singh admite que o facto das milhares de mortes estarem associadas ao consumo de bebidas industrializadas açucaradas não significa diretamente que os produtos conduzam à morte.



A investigadora sublinha que existe uma relação entre o hábito de consumo e uma maior prevalência de mortes causadas por doenças cardíacas, diabetes e cancro. Ou seja, o consumo desses produtos é um dos fatores de risco dessas doenças.



A Associação Americana de Bebidas já considerou o estudo "mais sensacionalista do que científico".



"De maneira alguma a investigação mostra que consumir bebidas açucaradas provoca doenças cardiovasculares, diabetes ou cancro, que foram as verdadeiras causas das mortes dos participantes do estudo”, cita a imprensa internacional.



Regiões



Das nove regiões analisadas, a América Latina e o Caribe tiveram o maior número de óbitos por diabetes ligados ao consumo de refrigerantes. As regiões leste e central da Rússia tiveram o maior número de mortes por doença cardíaca.



O México, que tem um dos mais altos níveis de consumo de bebidas açucaradas do mundo, teve a maior taxa de mortalidade total. No país, estima-se que ocorram 318 mortes por cada milhão devido ao consumo destas bebidas.



O Japão, cuja população está entre aquelas que consomem menos refrigerantes, teve a menor taxa de morte, apenas 10 mortes por um milhão de adultos.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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