Redução de 200 mil pobres em seis anos é "vã utopia"

Responsáveis do setor social consideram que a meta nacional da estratégia "Europa 2020", de retirar 200 mil pessoas da situação de pobreza nos próximos seis anos, é impossível de alcançar, se não houver uma ação concertada.
créditos: José Sena Goulão/Lusa

No relatório “Estratégia Europa 2020 - Ponto de Situação das Metas em Portugal, abril 2014”, o Governo explica que esta meta teve como base os 2,6 milhões de pessoas (25,3% da população) que se encontravam em situação de pobreza e/ou exclusão social, em 2012, em Portugal, mais 64 mil do que no ano anterior e menos 92 mil face a 2008.

Para o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, atingir esta meta é uma “vã utopia” se se prosseguir com as mesmas políticas.

“Gostaria muito que isso fosse verdade, mas tudo o que tem acontecido até agora aponta para que estejamos a falar de uma vã utopia”, disse Eugénio Fonseca, que falava à agência Lusa a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala a 17 de outubro.

Para esta meta ser atingida, Eugénio Fonseca defendeu que ”é preciso que alguns renunciem a privilégios que têm tido” e que haja uma “maior redistribuição da riqueza existente”.

Também o presidente da Fundação AMI, Fernando Nobre, considerou ser “impossível” alcançar este objetivo devido à situação económico-financeira do país e ao elevado nível de desemprego.

“O desemprego é efetivamente o grande flagelo”, disse à Lusa Fernando Nobre, observando que o número de desempregados tem “vindo a descer lentamente”, mas nunca é tido em conta que “centenas de milhares de portugueses” deixaram Portugal nos últimos seis anos.

“Se tivessem ficado em Portugal teríamos talvez hoje um nível de desemprego próximo do que existe em Espanha”, observou o presidente da Assistência Médica Internacional, defendendo que o combate à pobreza deve ser “uma causa nacional prioritária”.

Esta opinião é partilhada pelo presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia, afirmando que é preciso haver uma “estratégia séria” para lutar contra o flagelo da pobreza e da exclusão social, que deve passar por uma aposta no ordenamento do território e na educação.

“Quando há vontade, é possível. Quando as pessoas dão as mãos é possível”, disse Lino Maia, lamentando que a pobreza ainda seja considerada como “uma doença crónica” e não se esteja a fazer o suficiente para a combater.

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