Rede de telemedicina entre Portugal e PALOP avança em 2014

Projeto poderá receber 85% de financiamento da União Europeia
7 de junho de 2013 - 17h01



Uma rede de telemedicina entre Portugal e os países africanos lusófonos deu hoje o primeiro passo e deverá avançar progressivamente ao longo de 2014, disse hoje o secretário de Estado adjunto e da Saúde português.



Fernando Leal da Costa falava aos jornalistas após assistir, no Instituto Marquês de Valle Flor (IMVF), em Lisboa, à inauguração de uma nova plataforma de telemedicina que permitirá tornar mais rápidas e mais baratas as consultas à distância.



A nova plataforma, que vem modernizar o programa de telemedicina existente há dois anos entre Portugal e São Tomé e Príncipe, é portátil, totalmente em português e compatível com qualquer equipamento, permitindo o acesso à telemedicina a partir de um portátil comum com ligação à Internet.



"É o primeiro passo de uma rede de telemedicina ligando os países lusófonos a Portugal, ligando-os no seu todo, permitindo uma multilateralidade de consultas do ponto de vista técnico e da planificação de política de saúde que de outra forma não seria possível", disse Leal da Costa após assistir às consultas.



Questionado sobre prazos, o governante estimou que será possível, durante o ano de 2014, "progressivamente e através de hospitais interessados nos países africanos", construir uma rede de telemedicina que ligue "centros de excelência nacionais a centros de excelência africanos".



Financiamento comunitário



Para já, o secretário de Estado recordou que o IMVF, que "tem sido verdadeiramente a grande alma deste processo", submeteu o projeto a uma linha de financiamento da União Europeia para um cofinanciamento de 85%, esperando-se uma resposta até setembro.



O presidente do IMVF, Paulo Telles de Freitas, adiantou aos jornalistas que o hospital da Cidade da Praia, em Cabo Verde, e o hospital de Luanda, em Angola, já manifestaram interesse em iniciar um programa de telemedicina como o que o instituto já mantém com São Tomé e Príncipe.



"Estamos a iniciar a criação de uma rede de telemedicina dos PALOP com muitos hospitais do país", acrescentou ainda, referindo-se concretamente ao Hospital D. Estefânia, em Lisboa, o Fernando da Fonseca, na Amadora, o Santo António, no Porto, ou os Hospitais da Universidade de Coimbra.



"É uma rede que se vai construindo porque as pessoas vão vendo o potencial que essa rede tem", sublinhou o presidente do instituto.



Estimando em 100 mil euros o custo anual do programa, Telles de Freitas disse que o investimento é compensado pela poupança em transferências de doentes para Portugal.



O responsável recordou que só em 2012 o programa já existente com São Tomé e Príncipe permitiu poupar 180 mil euros nas transferências de doentes.



O ministro da Saúde de São Tomé e Príncipe, que falou na cerimónia de inauguração desde o Hospital Central Ayres de Menezes, em São Tomé, através da plataforma de telemedicina, estimou que este programa permita reduzir em 80% as despesas do Estado são-tomense com a transferência de doentes para Portugal.



Segundo o IMVF, a redução do número de doentes transferidos para tratamentos em Portugal permitiu uma poupança de 20% no orçamento da saúde de São Tomé e Príncipe e de cerca de um milhão de euros ao Ministério da Saúde português.



Também durante a inauguração, o embaixador de São Tomé e Príncipe em Lisboa sublinhou ainda a poupança que a telemedicina representa no "custo social das evacuações" de doentes para Portugal, nomeadamente quando a pessoa transferida é a única a sustentar a família.



A mesma ideia foi reiterada por Telles de Freitas, que disse não ser possível "atribuir um valor a esse benefício".



O IMVF promove há 25 anos o programa Saúde Para Todos em São Tomé e Príncipe, tendo iniciado um programa de telemedicina em março de 2011, por perceber que "os custos da cooperação eram insustentáveis", disse Telles de Freitas.



O secretário de Estado da Cooperação, Francisco Almeida Leite, que considerou a inauguração de hoje "um dia histórico para a cooperação portuguesa", disse que o Ministério dos Negócios Estrangeiros contribuiu com 660 mil euros para este projeto, que é cofinanciado por instituições como o IMVF, a Fundação Calouste Gulbenkian, entre outros.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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