Reações químicas geradas pela dieta mediterrânica podem evitar úlceras, revela estudo português

Dieta produz óxido nítrico, essencial para proteger o estômago de algumas patologias
16 de dezembro de 2013 - 09h49



Um estudo internacional, liderado por investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC), revelou que as reações químicas no estômago geradas pela dieta mediterrânica podem evitar úlceras pépticas.



“Até agora, o nitrito era sinónimo de molécula altamente tóxica associada ao cancro do estômago e os polifenóis símbolo de antioxidantes”, mas a investigação desenvolvida por aqueles especialistas demonstrou que a reação destes compostos no estômago “pode evitar o desenvolvimento de úlceras pépticas”, anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC).



A pesquisa revelou que “a dieta mediterrânica contém nitritos em quantidades elevadíssimas” (existentes nos vegetais verdes), assim como os polifenóis (presentes nos vegetais, na cebola, no vinho e na maçã, entre outros produtos), que, “em conjunto, produzem óxido nítrico (NO), molécula essencial para proteger o estômago de algumas patologias, através da regulação celular”.



O estômago funciona como “um biorreator que promove as condições adequadas para a produção de óxido nítrico em quantidade suficiente, podendo regular processos gástricos e outros mais globais e, em caso de inflamação, impedir, por exemplo, o surgimento de úlcera péptica”, explicam João Laranjinha e Bárbara Rocha, cientistas da FFUC envolvidos no estudo.



A possibilidade de impedimento da formação de úlcera péptica deve-se ao facto de aqueles processos modificarem “a estrutura química de proteínas endógenas que, desta forma, adquirem uma atividade antiulcerogénica previamente inexistente”, adiantam os investigadores.



Experiência com ratinhos conseguiu controlar doenças



As experiências realizadas em “modelos animais (ratos) e em humanos” permitem concluir que “através da dieta alimentar é possível controlar algumas doenças do estômago, produzindo um regulador celular (NO) por processos puramente químicos”, salientam.



“Estamos perante uma mudança de paradigma, porque identificámos nova atividade dos polifenóis e do nitrito no organismo”, afirmam os especialistas, sublinhando que se forma “uma nova equação: a produção de óxido nítrico a partir destas duas moléculas desencadeia uma série de ações e, em caso de inflamação, são formados compostos antiulcerogénicos”.



O regulador celular NO é, de facto, considerado “um grande maestro da regulação celular no organismo”, destaca João Laranjinha.



O estudo – com artigos publicados em “revistas científicas de referência internacional”, como a “Toxicology” ou a “Free Radical Biology and Medicine”, entre outras – foi desenvolvido durante os últimos cinco anos, com a colaboração do cientista Jon Lundberg, um dos líderes mundiais no estudo da “biologia do nitrito, uma nova área com grande impacto biomédico”.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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