Quase 75% dos doentes com cancro do pulmão não têm expectativa de cura

Vacina contra o cancro do pulmão é uma das descobertas que falta validar junta da comunidade
28 de outubro de 2013 - 12h01



As tão anunciadas vacinas e tratamentos inovadores para o cancro do pulmão foram no sábado, dia 26, tema de debate no segundo dia do XXIX Congresso de Pneumologia, que reuniu no Algarve cerca de 700 especialistas e profissionais ligados à área da saúde respiratória.



Avaliando algumas das soluções de tratamento existentes na área do cancro do pulmão, Fernando Barata, diretor do serviço de Pneumologia B do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, revelou-se optimista face ao aumento da atual taxa de sobrevida dos doentes, que é notoriamente mais elevada quando comparada com a que se verificava há 20 anos.



No entanto, e apesar dos bons resultados alcançados, os doentes continuam a revelar expectativas reduzidas de cura, na ordem dos 75%, avança a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, em comunicado de imprensa.



“Imunoterapia no cancro do pulmão: o prometido é devido” foi tema da sessão que apresentou algumas das mais promissoras abordagens no tratamento da doença.



A Imunoterapia apresenta-se como uma abordagem que recorre à capacidade natural do nosso organismo para combater o cancro, através do sistema imunitário (sistema de defesa natural do organismo), estimulando-o.



Segundo Fernando Barata "a imunoterapia tem vindo a revelar resultados bastante interessantes na abordagem do doente com cancro, havendo mesmo a expectativa de que a verificação de padrões de resposta, ainda variáveis, venham a tornar-se robustos e duradouros. No entanto, tendo em conta que todas as hipóteses se encontram em fase de estudo, há que gerir expectativas e educar doente e família."



Sobre a anunciada vacina de células dendríticas, Fernando Barata encara esta solução com algumas reservas uma vez que a descoberta não foi publicada em revistas internacionais credíveis, que avaliam e validam os resultados. "Os resultados anunciados não foram publicados em revistas credíveis, pelo que devem ser encarados com precaução" acrescenta.



Além do cancro do pulmão, as doenças ocupacionais foram outro dos temas que estiveram em debate. Apesar de não existirem números concretos, calcula-se que estejamos perante um grupo de doenças que afeta cerca de 160 mil trabalhadores europeus.



Segundo Carlos Robalo Cordeiro, "a inalação de partículas nocivas, vapores ou gases no local de trabalho pode provocar complicações como asma ocupacional ou bronquite. Agricultores, mineiros, trabalhadores da construção civil, bombeiros e cabeleireiros são apenas algumas das muitas profissões que, a longo prazo e sem qualquer tipo de cuidados preventivos, constituem um factor de risco para a saúde respiratória de quem se encontra exposto a determinado tipo de agressões".



E porque a asma é uma das doenças crónicas mais frequentes, afetando cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, este foi um dos temas que este na ordem do dia.



Destacando o aumento da sua prevalência, especialmente nos países desenvolvidos e em paralelo com o aumento global das alergias, Carlos Robalo Cordeiro acrescenta ainda que "nas últimas décadas, verificou-se um aumento substancial na prevalência das doenças alérgicas, com as tendências a apontarem para cerca de metade dos europeus afetados em 2015".



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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