Psiquiatra afirma que Portugal está mais deprimido e crise pode aumentar perturbações mentais

Em 2010, serviço registou quase 16 mil consultas externas, incluindo psiquiatria juvenil

Portugal está “mais deprimido” e o agravar das condições de vida aumenta as hipóteses perturbações mentais, alerta o diretor do serviço de psiquiatria do centro hospitalar de Gaia, que todos os meses recebe 200 novos pedidos de consulta.

“Há uma relação entre condições de vida e entre a depressão. Sabemos que quanto pior as pessoas vivem e quanto pior são as condições de vida das pessoas mais hipóteses de adoecer depressivamente”, salientou o clínico Jorge Bouça.

O médico assinalou que Portugal é “um país mais deprimido e onde a depressão vai ter expressão clínica crescente nas perturbações de ansiedade”.

A influência dos acontecimentos de vida, nomeadamente da vida laboral e social, nas doenças do foro psiquiátrico e a melhor forma de prevenir e tratar as patologias mais graves são os principais temas a serem debatidos hoje e sábado na 6ª edição das Jornadas da Saúde Mental a decorrerem em Gaia.

“Queremos com estas jornadas trazer a questão da vivência das pessoas e o reflexo que tem na saúde mental das populações. Há estudos muito consistentes que indicam que os níveis de depressão e ansiedade têm subido e hoje são a quarta causa mundial de doenças como as cutâneas, enfarte de miocárdio, cancro, entre outras”, destacou.

Só no Centro Hospitalar Gaia/Espinho, o Serviço de Psiquiatria recebe, por mês, 100 pedidos de consulta internos (que provêm de outras especialidades do hospital) e outros tantos oriundos dos cuidados de saúde primários, totalizando 200 pedidos por mês.

Em 2010, este serviço registou quase 16 mil consultas externas, incluindo psiquiatria da infância e adolescência.

“Os médicos de família são bombardeados diariamente por pessoas que não se queixam de depressão mas de outras coisas como mal estar, dor no coração, sentem-se tensos, não se sentem bem, mas isso são muitas vezes sintomas de ansiedade, da perturbação e são um reflexo das condições de vida que conduzem a uma vulnerabilidade crescente na saúde das pessoas”, explicou Jorge Bouça.

Uma das grandes preocupações são as novas tecnologias utilizadas de forma cada vez mais frequente e que “anulam as fronteiras entre a vida privada e a pública”, tendo introduzido “um fator de depressão”.

Cada vez mais “o trabalho entra pela porta dentro” e isso “é um fator que gera ansiedade”.

Prevê-se mesmo que “em 2030 a depressão será a principal causa de doença em todo o mundo”, sendo que atualmente “uma em quatro famílias tem um doente com uma perturbação mental”.

As Jornadas de Saúde Mental – Acontecimentos de Vida e Saúde Mental. Que Relação – decorrem hoje e sábado no Hotel Meliá Gaia/Porto.

08 de abril de 2011

Fonte: LUSA/SAPO

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