PS classifica a saúde, a segurança social e a escola pública como "prioridades inegociáveis"

Zorrinho diz que relatório do FMI limita-se a cortar onde é mais fácil
14 de janeiro de 2013 - 11h21



O líder parlamentar socialista afirmou esta segunda-feira, em Viseu, que o PS é um partido que respeita as instituições e os mandatos políticos, mas advertiu que não permitirá a subversão das regras da ética democrática contra a Constituição.



Este aviso foi deixado por Carlos Zorrinho na sessão de abertura das Jornadas Parlamentares do PS, que decorrem até terça-feira naquela cidade e que são subordinadas ao tema do Estado social.



"Queremos que os portugueses saibam que respeitamos as instituições e os mandatos, mas não permitiremos a subversão da ética democrática. A alternativa não é entre a incompetência desta maioria [PSD/CDS] e o caos", declarou o presidente do Grupo Parlamentar do PS.



Na sua intervenção, Carlos Zorrinho considerou que a opção que se coloca a Portugal "é entre a incompetência e a obsessão desta maioria e um Governo rigoroso, focado nas pessoas, respeitador da Constituição e integrado no diálogo europeu".



"Temos um Governo sem autoestima e sem rumo, que tem medo dos portugueses e, por isso, em vez de os mobilizar para os desafios que temos de enfrentar, encomenda estudos a tecnocratas estrangeiros para poder insistir numa receita cujos resultados são trágicos", criticou.



Jornadas centradas na educação, segurança social e saúde



Recusando mudanças a nível da Constituição, Zorrinho clama por “mudar as políticas” e reafirma a determinação do PS na “defesa da escola pública, do Serviço Nacional de Saúde e duma segurança social justa e robusta”, matérias que, disse, para o PS “são uma prioridade inegociável”.



O líder da bancada socialista deteve-se na Reforma do Estado para dizer que o “PS tem um património que muito nos orgulha como partido reformista”. Embalado pela reflexão sobre o Estado Social, aludiu depois ao recente relatório do FMI, encomendado pelo Governo ao Fundo Monetário Internacional (...) e que considerou “uma fonte de má inspiração, porque não faz uma análise sistémica. Limita-se a cortar onde é aparentemente mais fácil no Estado Social”.



Carlos Zorrinho referiu-se também a declarações recentemente feitas pelo ex-ministro das Finanças social-democrata Eduardo Catroga, segundo a qual Portugal atravessa um período em que a realidade induzida pelas políticas começa a chocar com a Constituição da República.



"Para o PS é claro: Isso não pode acontecer e a solução não é mudar a Constituição mas mudar as políticas", disse.



Perante os deputados socialistas, Carlos Zorrinho reiterou a ideia de que a maioria PSD/CDS não pode contar com o PS para "branquear um corte de quatro mil milhões de euros no Estado social, para tapar um buraco orçamental criado pela incompetência das suas políticas".



"Esse buraco é da responsabilidade do Governo. O Governo que o resolva", afirmou.



Por SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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