Prevenção do tromboembolismo nos doentes com cancro deve ser melhorada

Estudo indica que é preciso apostar mais na prevenção, não só no tratamento

28 de março de 2014 - 15h25

A prevenção do tromboembolismo venoso, segunda causa de morte do
doente oncológico, deve ser melhorada em Portugal e é necessário um
“registo mais adequado” deste problema a nível nacional, concluiu um
estudo hoje apresentado em Évora.

Estes são dois dos resultados de
um inquérito feito a profissionais de Saúde da área de Oncologia, de
norte a sul do país, pelo Grupo de Estudos do Cancro e Trombose.

Formado
por profissionais de Oncologia de várias instituições do país, o grupo,
criado recentemente, foi apresentado hoje em Évora, na 10.ª edição dos
Encontros da Primavera de Oncologia.

O inquérito também
apresentado hoje serviu para analisar a perceção dos profissionais de
Saúde face ao tromboembolismo, explicou à agência Lusa Sérgio Barroso,
diretor do Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora
(HESE).

Segundo o especialista, membro do grupo de estudos, foram
obtidas “mais de 100 respostas”, o que constitui “uma amostragem muito
importante relativamente às várias instituições e formas de lidar com
esta situação”.

“Este tema do tromboembolismo venoso é muito
importante porque é a segunda causa de mortalidade no doente oncológico,
a seguir ao próprio tumor”, realçou.

Esta patologia, disse,
consiste na “formação de um coágulo sanguíneo ao nível do sistema
circulatório, particularmente do sistema venoso, que faz com que a
circulação fique alterada”.

“Se os coágulos vão para o coração,
pulmão ou cérebro, podem conduzir a situações muito graves, como a
morte, porque a circulação fica obstruída”, continuou, alertando que o
risco é maior nos doentes oncológicos, em comparação com outros doentes.

O
inquérito - resumiu Sérgio Barroso - apurou que os profissionais de
Saúde estão informados sobre esta situação, mas “existem áreas” em que
“é preciso melhorar e definir uma estratégia para uma atuação
diferente”.

Como exemplo, indicou, “é muito importante” que se
consiga “ter um registo mais adequado a nível nacional deste tipo de
problema”, sendo esta uma área com “espaço para uma melhoria
importante”.

Outra das conclusões é a de que, apesar de os
profissionais de Oncologia estarem sensibilizados para o
tromboembolismo, é preciso apostar mais na prevenção, não só no
tratamento.

“Muitas vezes, o que acontece é que os profissionais
atuam quando a situação aparece, mas há claramente uma dificuldade ainda
na antecipação, na prevenção desse evento”, apontou.

Por isso,
defendeu, há que definir uma estratégia logo de início, sistemática, com
o doente oncológico: “A melhor forma de evitar as consequências do
tromboembolismo é tentar preveni-lo”.

O Grupo de Estudos do Cancro
e Trombose vai centrar atenções na produção de conhecimento científico
sobre este problema, na formação dos profissionais e na informação e
sensibilização do público, em particular dos doentes e suas famílias.

A
10.ª edição dos Encontros da Primavera de Oncologia, um evento
organizado pelo Serviço de Oncologia do HESE, arrancou na quinta-feira e
prolonga-se até sábado.

Lusa

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