Presidente da administração do Hospital de S. João critica falta de equidade

Médico lamentou falta de equidade enquanto era distinguido com Comenda da Ordem de Mérito
16 de dezembro de 2013 - 16h01



O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar S. João, no Porto, António Ferreira, criticou hoje a falta de equidade na distribuição de verbas aos hospitais.



“Tantas vezes injustiçados por os ventos da fortuna soprarem sempre no mesmo sentido – o sentido do sul, tantas vezes agastados por os rios do dinheiro desaguarem permanentemente no mesmo mar – o mar da indiferença, o mar onde não se distinguem as marés, porque se considera sempre em preia-mar, nós continuamos, com resiliente persistência, a cumprir a nossa missão”, afirmou António Ferreira, que hoje recebeu das mãos do ministro da Saúde a Comenda da Ordem de Mérito, atribuída pelo Presidente da República.



No seu discurso, António Ferreira afirmou que a distinção se deve “aos resultados do trabalho que, ao longo dos anos, tem sido coletivamente desenvolvido no hospital e não reflete nenhum mérito pessoal”, e criticou modelo de financiamento do Serviço Nacional de Saúde.



“No dia em que a torrente meridional parar de correr – e inevitavelmente parará de correr, o nosso mar continuará a manter a preia-mar e a baixa-mar, e nós continuaremos a saber navegá-lo, enquanto o outro mar secará”, frisou o responsável.



Para António Ferreira, o Hospital de S. João “navega em maré-vaza”, mas faz “muito mais e melhor” do que “os que “não têm maré”.



“Navegamos em maré-vaza mas, a cada dia que passa, servimos mais e melhor os que de nós precisam. Não sabemos quando virá a maré-alta, mas sabemos, com absoluta certeza, que virá e que a sua chegada depende de nós”, sublinhou.



O médico e também professor universitário salientou ainda que a mudança que se iniciou em 2006 “não parará, nem nos processos, nem na remodelação estrutural e infraestrutural, nem nas pessoas”.



“E saberemos lutar até ao limite das nossas forças por este direito – que consideramos inalienável”, concluiu.



Em declarações aos jornalistas, António Ferreira afirmou estar “preocupado com os dinheiros do Estado destinados ao financiamento dos cuidados de saúde”, designadamente que “sejam distribuídos com equidade pelas várias regiões do país, facto que não tem acontecido desde há muitos anos”.



Nesta cerimónia de atribuição da comenda, que contou com a presença do antigo Presidente da República General Ramalho Eanes, o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Agostinho Marques, reivindicou apoios para a nova ala pediátrica do S. João



Segundo António Ferreira, “se o hospital de S. João puder receber o dinheiro que os seus devedores lhe devem, tem condições para continuar a renovação estrutural e infraestrutural do edifício e tem condições para, juntamente com a sociedade civil, se lançar na construção do hospital pediátrico integrado”.



“Mais do que o financiamento, está em causa, é muito importante, a definição do conceito, que deve ser entendido como perfeitamente integrado na estratégia da área maternoinfantil e pediátrica da toda a região Norte. Não é antagónico a nada, pelo contrário, é integrado e inclusivo”, vincou.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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