Prémios Grünenthal distinguem investigações na saúde da Universidade do Porto

Cistite intersticial e dor pélvica são os temas dos estudos que recebem os prémios

16 de julho de 2014 - 07h00

Os prémios 2013 da Fundação Grünenthal distinguiram duas investigações da Universidade do Porto, uma sobre alívio da dor pélvica associada à cistite e outra que avalia o recurso aos serviços de saúde em casos de dor crónica, soube-se hoje.

Em comunicado enviado à Lusa, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) anuncia que o estudo "Dor crónica e utilização de serviços de saúde - Poderá existir sobreutilização de exames complementares de diagnóstico e iniquidades na utilização de tratamentos não-farmacológicos" foi distinguido com o Prémio de Investigação Clínica, no valor pecuniário de 7.500 euros.

Já o Prémio de Investigação Básica, com o mesmo valor, foi atribuído ao trabalho "Administração intratecal de toxina botulínica do tipo A melhora o funcionamento da bexiga e reduz a dor em ratos com cistite".

Criados em 1999 pela Fundação Grünenthal, estes galardões "constituem o prémio de mais alto valor anualmente distribuído em Portugal, no âmbito da investigação em dor", adianta a FMUP.

Segundo o comunicado, a investigação distinguida com o Prémio de Investigação Básica revelou que a administração da toxina botulínica do tipo A "diretamente no sistema nervoso central permite que ela atue de forma eficiente sobre os neurónios sensitivos, resultando numa diminuição da dor pélvica, associada a uma melhoria do funcionamento da bexiga".

A investigadora principal deste estudo, Ana Coelho, explica que a investigação premiada teve como "objetivo avaliar se a injeção daquela toxina na medula espinhal era capaz de diminuir a dor a animais com cistite como modelo de dor visceral.

A cistite intersticial é uma patologia que se caracteriza por uma forte dor na zona pélvica associada a um aumento da necessidade de urinar.

No futuro, concluiu a investigadora, "a translação deste efeito para o humano poderá ajudar a tratar não só a dor pélvica mas também outros tipos de dor intratável, tais como a dor associada a determinadas neoplasias" lembrando que "para alguns doentes nenhum tratamento é eficaz e a dor torna-se insuportável podendo mesmo levar à remoção cirúrgica da bexiga".

O outro trabalho distinguido conseguiu "descrever para a população portuguesa, pela primeira vez, os padrões de utilização de serviços de saúde associados à dor crónica, nomeadamente, tratamentos farmacológicos e não-farmacológicos, seguimento", explica o investigador principal Luís Azevedo.

O investigador adianta que se observou "uma utilização muito significativa de serviços de saúde associados à dor crónica" e que "foi possível descrever a eventual existência de sobreutilização de testes diagnósticos e iniquidades na utilização de tratamentos não-farmacológicos".

O investigador concluiu que "no futuro este estudo poderá vir a constituir-se como uma ferramenta chave para o desenvolvimento de políticas de saúde nesta área e serviu de base para uma avaliação do impacto económico da dor crónica em Portugal".

A Fundação Grünenthal é uma entidade sem fins lucrativos que tem por fim primordial a investigação e a cultura científica na área das ciências médicas, com particular dedicação ao âmbito da dor e respetivo tratamento.

Por Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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