Premiada investigadora que propõe material natural para eliminar bactéria do estômago

L´Oreal Portugal apoiou 31 jovens cientistas nas áreas da saúde e do ambiente nos últimos 15 anos
29 de janeiro de 2014 - 10h20



Uma investigadora do Porto propõe utilizar um material natural, em micro esferas, para eliminar a bactéria do estômago helicobacter pylori, que pode levar ao cancro gástrico, um dos três trabalhos de jovens cientistas distinguidos pelos prémios L´Oreal.



Inês Gonçalves, do Instituto de Engenharia Bioquímica, da Universidade do Porto, explicou à agência Lusa que o objetivo "é arranjar uma forma alternativa aos antibióticos para eliminar a helicobacter pylori, uma bacteria que existe no estômago e, se a infeção for persistente, pode levar ao aparecimento de cancro gástrico".



O projeto proposto por esta investigadora para a 10.ª edição das "Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência" pretende "utilizar um biomaterial, compatível com o corpo [humano], sob a forma de micro-esferas feitas de um material natural compatível o corpo".



Depois de administradas oralmente, "as micro esferas deverão chegar ao estômago, ligar a bactéria e remove-la pelo trato gastro intestinal", referiu Inês Gonçalves, apontando que já foi pedida patente internacional e que o passo seguinte é criar condições para fazer testes em animais e depois em humanos.



Os prémios, que hoje serão atribuídos numa cerimónia em Lisboa, também distinguiram Joana Tavares, do Instituto de Biologia Molecular e Celular, da Universidade do Porto, pelo trabalho para conhecer melhor os parasitas da malária, e Luísa Neves, da Rede de Química e Tecnologia, Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa, pela proposta de reutilização do gás anestésico, por exemplo, o xenon.



Luísa Neves trabalhou a captura do dióxido de carbono presente em correntes de gases de anestesia "de um modo eficiente e seguro", possibilitando usar de novo o gás, o que reduz os custos da anestesia e torna este procedimento "o mais seguro possível".



Apresenta ainda vantagens ambientais já que o dióxido de carbono libertado no processo é capturado e armazenado ou utilizado para outros fins, contribuindo para a redução das emissões de gases com efeito de estufa.



A investigadora da Universidade de Lisboa acrescentou que já foi feito o pedido de patente nacional e iniciado o processo para patente internacional.



Joana Tavares quer perceber as características do parasita responsável pela malária, transmitida através de uma picada de mosquito, ou seja, "quais as moléculas que fazem com que fique retido no fígado, onde posteriormente se vai instalar e transformar, causando a doença".



"Queremos perceber este direcionamento do parasita para o fígado, depois de detetar o mecanismo que usa, e tentar montar uma resposta para proteger o hospedeiro da infeção", especificou a cientista em declarações à Lusa.



O diretor geral da L´Oreal Portugal, Rodrigo Pizarro, realçou que a iniciativa, com 15 anos, já apoiou 31 jovens cientistas em Portugal, nas áreas da saúde e do ambiente, permitindo continuar projetos em temas como diabetes, cancro ou alzheimer.



Nesta parceria com a UNESCO, "queremos promover o papel das mulheres dentro da investigação para chegar a uma ciência que seja mais justa", defendeu o responsável da L´Oreal, grupo que emprega cerca de 3.800 investigadores, dos quais mais de dois terços são mulheres.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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