Preços elevados e falta de aprovação científica atrasam inovação contra o cancro

Os preços elevados e a dificuldade de introdução e aprovação no mercado português são os principais obstáculos ao acesso dos doentes a medicamentos inovadores para o cancro, que permitem aumentar em cerca de 60% a taxa de sobrevivência.
créditos: AFP

Estas são as principais conclusões de um grupo de peritos convidado pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) para tentar identificar as principais limitações no acesso aos medicamentos oncológicos inovadores e estudar alternativas e que serão apresentadas esta quarta-feira durante o Think Tank “Pensar a Saúde. Acesso do cidadão em Portugal à inovação Terapêutica – Oncologia”.

Ana Escoval, professora da ENSP e coordenadora do “Think Tank”, explica que a falta de acesso à inovação terapêutica em oncologia se deve a vários fatores, entre os quais “o elevado preço dos medicamentos inovadores e a incapacidade de gerir a entrada de novas tecnologias terapêuticas face ao contexto económico e financeiro do país”.

Em Portugal, durante o ano de 2013, a despesa com medicamentos em meio hospitalar foi de 974,8 milhões de euros, sendo que os imunomoduladores, os antivíricos e os cititóxicos representaram 58,8% da despesa, segundo dados do Infarmed.

Barreira nos ensaios clínicos

O grupo de reflexão envolvido no estudo aponta igualmente como um dos principais obstáculos ao acesso a terapêutica inovadora “a demora na aprovação dos fármacos - o estudo de avaliação económica, formulário nacional hospitalar, comissão de farmácia e terapêutica, as barreiras administrativas na aprovação e aplicação dos ensaios clínicos”.

Comentários