Portugueses temem cirurgia à coluna por desconhecimento

As doenças que afetam a coluna representam mais de 50% das causas de incapacidade física. E 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida de alguma forma pelo facto de terem dores nas costas.
créditos: EPA/BALAZS MOHAI

As doenças que afetam a coluna continuam a ser uma das principais preocupações dos portugueses no que toca à sua saúde. Quando a proposta terapêutica inclui uma cirurgia, a angústia aumenta substancialmente e, por vezes, os medos afastam o doente do tratamento adequado e contribuem para a persistência ou o agravamento de uma má qualidade de vida.

O alerta é dado pela campanha "Olhe pelas Suas Costas", uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, no âmbito do Dia Mundial da Coluna, que se celebrou a 16 de outubro.

De acordo com Paulo Pereira, neurocirurgião e coordenador da campanha, “muitos portugueses, por desconhecimento, acreditam que as dores nas costas são uma consequência natural da idade e que a cirurgia à coluna pode representar uma limitação permanente da qualidade de vida. São estes mitos que levam os pacientes a temer uma simples ida ao médico ou, nos casos mais complicados, o tratamento cirúrgico, atribuindo-lhe riscos exagerados”.

“Este medo relaciona-se com ideias pré-concebidas, com a associação a exemplos de casos totalmente distintos e, com muita frequência, com conselhos de familiares, amigos e até profissionais de saúde, sem conhecimentos necessários para transmitirem uma opinião fundamentada e atual”, conclui o especialista.

De acordo com um estudo publicado na revista Lancet, as dores nas costas afetam 632 milhões de pessoas em todo o mundo, um número que aumentou cerca de 45% nos últimos 20 anos. Estima-se ainda que mais de 80% das pessoas em todo o mundo têm em algum momento das suas vidas, dores relacionadas com a coluna vertebral.

Entre as patologias que mais frequentemente necessitam de intervenção cirúrgica estão as hérnias discais que se acompanham de um défice neurológico ou são resistentes ao tratamento conservador, mais usuais entre os 35 e os 50 anos de idade, e a estenose lombar, que afeta cerca de 20% das pessoas com mais de 65 anos.

As dores nas costas são a principal causa de consultas médicas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

As doenças que afetam a coluna representam mais de 50% das causas de incapacidade física. Um estudo, realizado no âmbito desta campanha, indica que 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida de alguma forma pelo facto de terem dores nas costas e mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho por ano por este motivo.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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