Portugueses querem levar teste inovador para tuberculose à comunidade lusófona

Investigadores do projeto receberam em 2012 o Prémio de Mérito Científico Santander Totta/UNL
6 de fevereiro de 2014 - 14h55



Um teste inovador para a deteção mais rápida e barata da tuberculose e suas estirpes está a ser desenvolvido por portugueses, que pretendem levar esta nova tecnologia aos outros países de expressão portuguesa, revelou hoje um dos investigadores.



“O nosso objetivo com este teste foi criarmos uma alternativa de baixo custo e baseada numa inovação biotecnológica, que foi desenvolvida na Faculdade de Tecnologia e Ciência (FCT), pelo meu colega Pedro Vianna Baptista, de nanopartículas de ouro que permitem ser funcionalizadas com alvos para detetar a tuberculose”, disse Miguel Viveiros, um dos participantes na pesquisa.



Os investigadores do projeto receberam em 2012 o Prémio de Mérito Científico Santander Totta/ Universidade Nova pelo desenvolvimento deste teste mais rápido e barato de diagnóstico da tuberculose.



Agora, em janeiro, os cientistas publicaram um artigo na revista científica internacional Tuberculosis, na qual apresentaram um outro estudo, sobre a utilização do mesmo teste para identificar a tuberculose multirresistente.



“O trabalho que agora publicamos demonstra a sua aplicação (do teste) para a tuberculose multirresistente, ou seja, para detetarmos alvos que permitem em poucas horas, não mais de quatro horas, detetar se o doente para além de ter uma tuberculose ativa se, infelizmente para ele, esse bacilo é resistente aos fármacos de primeira linha”, disse Viveiros, investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).



“Esta alternativa tecnologia permite reduzir o processo tradicional, que demora entre uma semana e duas semanas para fazermos a identificação e o antibiograma”, referiu.



O teste reduz ainda os custos “comparativamente com outras alternativas tecnológicas, nomeadamente dos Estados Unidos, que estão no mercado”, segundo Viveiros.



De acordo com o cientista do IHMT, o custo de produção do teste português “fica à volta de cêntimos, dependendo da escala, enquanto os custos para os testes que existem no mercado e são recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) são em média de 75 dólares por teste, sem contar o aparelho (utilizado no processo)”.



“Neste momento, nós temos o teste em desenvolvimento e fazemos apenas em paralelo - porque não podemos utilizar ainda pois ainda não está certificado para diagnósticos “in vitro”, está apenas em fase experimental – com amostras que recebemos dos hospitais da grande Lisboa”, referiu.



Miguel Viveiros explicou que estão a trabalhar também com instituições do Brasil, Angola e Moçambique.



“Um dos nossos objetivos é vir a implementá-lo no âmbito da rede de laboratórios de tuberculose da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), esperemos que em breve, portanto será uma solução lusófona para o diagnóstico precoce da tuberculose”, declarou, indicando que em Moçambique, a doença é especialmente grave.



A deteção precoce dos casos de tuberculose multirresistente em Portugal é uma necessidade urgente, já que as estirpes portuguesas apresentam características únicas, que as tornam sem resposta aos tratamentos padrão preconizados pela OMS, segundo o investigador.



“Sabemos que 75% ou 80% das estirpes multirresistentes em Portugal são do mesmo grupo genético da estirpe Lisboa, que tem características não partilhadas com o resto do mundo”, explicou o investigador Miguel Viveiros, dizendo que a doença está "mais ou menos controlada".



“Do ponto de vista do desenvolvimento, estamos a trabalhar em conjunto e temos um planeamento em mente a cinco anos. Neste momento estamos no segundo ano de desenvolvimento, ainda falta três anos. Agora iremos avançar para a parte comercial, mediante algumas parcerias que pretendemos criar com empresas de biotecnologia”, sublinhou.



Em fevereiro, os ministros da Saúde da CPLP reunem-se em Maputo e será debatida a criação de uma rede para a luta contra a tuberculose na comunidade, em que os investigadores pretendem incorporar esta tecnologia.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários