Portugueses devem declarar guerra ao consumo abusivo de antibióticos, alerta diretor-geral da Saúde

Antibióticos não devem ser guardados nem tomados por mais de 5 dias
13 de setembro de 2013 - 15h52



O diretor-geral da saúde, Francisco George, defendeu hoje que os portugueses devem declarar guerra ao consumo abusivo de antibióticos, salientando que o país tem um problema de resistência das infeções.



“Temos um problema em Portugal que é, sobretudo, a resistência das infeções e, uma vez as bactérias resistentes, os antibióticos deixam de fazer efeito. Isto é um problema absolutamente dramático, todos nós temos de combater este problema em conjunto, não são só os médicos", afirmou Francisco George, que acrescentou: “Todos os portugueses devem declarar guerra ao uso abusivo e indevido de antibióticos e trabalharmos no sentido de reduzir a taxa de resistência que é alta no nosso país”.



O responsável, que falava aos jornalistas à margem do 3.º Congresso Ibérico dos Serviços de Urgência dos Hospitais EPE (entidades públicas empresariais), no qual foi orador, no Funchal, considerou que os portugueses consomem “antibióticos a mais e de uma forma, muitas vezes, indevida, não só em excesso, no plano quantitativo, como também nas questões ligadas ao tipo, à qualidade da administração do antibiótico”.



“Não devemos usar antibiótico por iniciativa própria, a chamada automedicação é absolutamente uma contraindicação”, salientou, referindo que “o antibiótico é um medicamento muito importante, tem de ser guardado, tem de ser preservado e deve ser tomado, exclusivamente, por prescrição médica” e, “em regra, nunca mais de cinco dias”.



Para Francisco George, “esta é a regra base”, e “saber qual o antibiótico mais indicado” e se a doença que implica a sua administração “tem ou não tem indicação formal para fazer esse tipo tratamento”.



“Há doenças, como infeções respiratórias, que são provocadas por vírus, e as doenças de natureza viral não devem ser tratadas com antibióticos, porque os antibióticos só fazem efeito a combater indicações de natureza bacteriana”, advertiu o diretor-geral da saúde.



Francisco George frisou que “não são os cidadãos que podem saber se têm uma infeção bacteriana ou viral, são os médicos, depois de determinados exames, e este é um trabalho de grande seriedade”.



O congresso integrou a Semana Ibérica de Emergência Médica, que termina na segunda-feira e que hoje assinalou, pela segunda vez, o Dia Mundial da Sépsis, doença que resulta de uma resposta inflamatória do organismo a uma infeção, na maior parte das vezes bacteriana, explicou o diretor dos Cuidados Intensivos do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, Júlio Nóbrega.



“O consumo indevido de antibióticos leva ao surgimento de bactérias resistentes e, consequentemente, a formas de sépsis difíceis de tratar”, adiantou Júlio Nóbrega.



Para assinalar o Dia Mundial da Sépsis, realizou-se hoje uma largada de balões para alertar a população para a problemática desta doença, largada liderada por uma mulher que foi curada de uma forma muito grave de sépsis.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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