Portugueses desconhecem relação entre o rim e o coração

Doença renal crónica afecta 600 milhões de pessoas em todo o mundo

No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Rim, que se celebra hoje, a Sociedade Portuguesa de Nefrologia lança uma campanha de sensibilização sobre o tema “Proteja os seus rins, salve o seu coração”, juntamente com mais de cem países em todo o mundo, com o objectivo de alertar os portugueses para a relação entre a doença renal e os problemas cardiovasculares.

De acordo com Fernando Nolasco, presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia “a população desconhece e por isso, desvaloriza, a ligação directa entre a doença renal e as doenças cardiovasculares, no entanto, quanto mais avançada for a falência dos rins, maior é a probabilidade de haver também doença cardiovascular, como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e doença coronária, de forma que o doente renal apresenta dez vezes mais probabilidade de morrer por enfarte do miocárdio. Por outro lado, a hipertensão arterial e a diabetes, sobretudo a tipo 2, são as principais motivadoras de doença renal crónica no Mundo”.

O médico nefrologista esclarece ainda “uma grande percentagem de doentes com doença renal crónica apresenta pressão arterial elevada e aumento dos níveis de colesterol no sangue, a par de um estado de inflamação crónica e silenciosa do organismo que contribui para as alterações degenerativas das artérias conhecidas por aterosclerose ou arteriosclerose, que são as principais causas de doença cardiovascular”.

Para alertar para a saúde dos rins, a Sociedade Portuguesa de Nefrologia vai promover diversas sessões de esclarecimento, entre elas duas sessões de esclarecimento no dia 10 de Março, pelas 10 horas na Universidade Sénior Albicastrense, em Castelo Branco, e pelas 15 horas na Academia Sénior da Covilhã. Estas iniciativas pretendem sensibilizar a população para a prevenção, diagnóstico e tratamento da doença renal, que se estima que afecte cerca de 800 mil pessoas, em Portugal.

Fernando Nolasco alerta ainda “a ausência de sintomas nos primeiros estádios da doença faz com que grande parte das pessoas desvalorize, ignore ou adie os cuidados a ter com a saúde dos seus rins. Os sintomas mais relevantes podem somente aparecer a partir do terceiro estádio de evolução da doença e são sobretudo a hipertensão, o inchaço das pernas ou da face e a anemia”.

Qualquer pessoa pode sofrer de doença renal crónica, embora seja mais frequente nos idosos, nas pessoas com diabetes, hipertensão arterial de longa data, obesidade, algumas doenças hereditárias, ou que têm antecedentes familiares de doença renal.

Para prevenir a doença renal crónica é preciso reduzir a ingestão de sal e reduzir o excesso de peso (evitando as gorduras e o açúcar, e bebendo álcool com moderação), baixar a pressão arterial elevada, abandonar o tabaco, e manter o açúcar no sangue controlado se for diabético.

Existem também alguns hábitos de vida saudáveis que permitem prevenir esta doença, como fazer exercício físico e optar por uma alimentação variada, com alimentos frescos, rica em vegetais e frutos, e pobre em gorduras.

A doença renal crónica é caracterizada por uma deterioração lenta e irreversível dos rins e das suas funções. Na fase mais avançada da evolução da doença renal crónica, ou estádio 5, surge o esgotamento total das funções renais, que terão de passar a ser substituídas pela diálise ou por um transplante.

Todos os anos surgem mais de dois mil casos de doentes em falência renal. Em Portugal existem actualmente cerca de 16 mil doentes em tratamento substitutivo da função renal (cerca de 2/3 em diálise e 1/3 já transplantados), e outros dois mil aguardam, em lista de espera, por um transplante renal.

10 de março de 2011

Fonte: LPM Comunicação


Comentários