Português desenvolve aplicação que ajudará a prevenir o cancro

O investigador prevê que dentro de um ano o projeto esteja pronto e será gratuito
4 de junho de 2014 - 19h05



Um investigador português do Instituto de Investigação e Cancro de Aveiro está a desenvolver uma aplicação para telemóveis que pretende ajudar a prevenir o cancro, induzindo as pessoas a apostarem em hábitos de vida saudável.



Em declarações à Lusa, depois de apresentar o conceito de "HAPPY" - Health Awareness and Prevention Personalized for You - no 2º. Congresso de Comunicação de Ciência, Nuno Ribeiro disse que a ideia de prevenção de cancro no telemóvel é "ter uma aplicação que vai enviando mensagens personalizadas adaptadas ao perfil e contexto da pessoa e que vão tentando induzir comportamentos mais adequados, em detrimento dos comportamentos que se reportam à aplicação e que não são tão bons".



O pesquisador português, do programa de doutoramento de Multimédia e Educação, no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular, da Universidade do Porto, garantiu ter-se baseado no conhecido modelo de Mudança Comportamental de Fogg, psicólogo que estuda como a tecnologia pode ser usada para mudar o comportamento humano na nova ciência chamada Captologia.



O investigador português sublinhou que a Mudança Comportamental de Fogg defende que o comportamento das pessoas depende fundamentalmente de três fatores: a motivação, capacidade e ativadores, "que são uma espécie de lembrete".



"Quando a pessoa estiver no supermercado e receber uma mensagem que diz: compre fruta para ter em casa e mais tarde poder consumi-la, essa é uma boa forma de aumentar a sua capacidade, ou seja, de fazer com que a pessoa coma fruta", exemplificou.



Através de um questionário, o utilizador do telemóvel vai introduzir dados pessoais sobre as suas características num processo contínuo, pelo que "esta evolução vai influenciar as mensagens personalizadas que vão sendo enviadas à pessoa" como, por exemplo, quando lhe for sugerido fazer exercício físico.



"Se a pessoa ainda assim continuar a não realizar os exercícios físicos, vão ser enviadas mais mensagens que vão tentar criar motivação", sendo que uma delas, poderá, por hipótese, dizer no dia anterior àquele em que o indivíduo tiver que praticar exercícios: "amanhã ponha a roupa de exercício físico. Isso é um elemento simples, mas que vai facilitar a pessoa a ter este mesmo comportamento. É um estímulo que se pode dar", afirmou Nuno Ribeiro.

Comentários