Portugal sem dados sobre resistência a antibióticos fora dos hospitais

Organização Mundial de Saúde considerou resistência aos antibióticos um problema de saúde pública
22 de maio de 2014 - 07h33



O presidente do Colégio de Patologia Clínica da Ordem dos Médicos lamenta a falta de dados estruturados sobre a resistência a antibióticos fora da rede hospitalar, lembrando o papel que os laboratórios de análises podem ter nesta matéria.



“Infelizmente, até agora, a casuística dos laboratórios não hospitalares não tem sido devidamente coletada, de forma a permitir uma visão correta da problemática [da resistência aos antibióticos]”, afirmou Manuel Cirne de Carvalho à agência Lusa, em vésperas do V Congresso Científico de Análises Clínicas, que começa na sexta-feira em Vilamoura.



A resistência aos antibióticos tem sido considerado um problema de saúde pública pela própria Organização Mundial de Saúde, mas os dados em Portugal resultam, na sua maioria, da experiência dos laboratórios hospitalares, quando o fenómeno não é exclusivamente hospitalar.



“Não estão a ser integradas e coligidas um número muito significativo de infeções bacterianas – observadas e diagnosticadas em ambiente extra-hospitalar – assim como o seu respetivo comportamento em termos de resistência aos antimicrobianos”, refere Cirne de Carvalho, numa resposta escrita à Lusa.



O especialista considera uma “lacuna grave” a falta de dados agrupados e tratados da realidade extra-hospitalar, embora reconheça o mérito de alguns dos laboratórios que têm tentado recolher e analisar dados sobre esta problemática.



“Desta forma, não podemos ter uma informação que permita influenciar uma política de antimicrobianos que sirva, por exemplo, a vasta comunidade dos cuidados primários de saúde”, referiu.



Cirne de Carvalho lembrou ainda que se têm verificado caraterísticas diferentes entre as infeções observadas a nível hospitalar e as que ocorrem na população em ambulatório.



As infeções na população não internada “apresentam novas caraterísticas, decorrentes da tendência observada na diminuição no tempo de internamento hospitalar”, das doenças que agora são tratadas em ambulatório e na proliferação de unidades de cuidados continuados.



A resistência aos antibióticos é um dos temas que vão ser abordados no Congresso de Análises Clínicas, que decorre na sexta-feira e sábado em Vilamoura.



A resistência aos antibióticos ocorre quando eles perdem a capacidade de controlar o crescimento da bactéria ou de a destruir. As bactérias encontram, assim, uma forma para neutralizar o efeito do antibiótico.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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