Portugal arrisca-se a ser um "país de crianças tristes", alerta Bilhota Xavier

Famílias não frequentam consultas marcadas pelos médicos por falta de dinheiro
28 de fevereiro de 2014 - 16h04



O presidente da Comissão da Saúde da Mulher, Criança e Adolescente alertou hoje para o aumento de casos de angústia e depressão infantil, devido às dificuldades das famílias, e disse que Portugal se arrisca a ser um “país de crianças tristes”.



Em declarações à agência Lusa, Bilhota Xavier disse que as carências das famílias demonstram-se de várias maneiras e refletem-se nas crianças desde muito cedo.



“Ficamos perplexos com as faixas etárias das crianças em que se detetam os cada vez mais frequentes problemas de ansiedade, angústias e depressões, algumas com oito, nove, dez anos”, disse o pediatra.



Bilhota Xavier lembra que “as crianças, mesmo muito pequenas, são extremamente inteligentes e apercebem-se dos dramas que afetam os pais”, disse.



Na origem destes casos estão “as vivências dos pais desempregados que não têm dinheiro para sustentar a família”, adiantou.



Segundo o presidente da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, as crianças chegam a simular doenças para chamar a atenção, pois os pais estão ocupados a procurar rendimento para sustentarem a família.



“Estamos seriamente preocupados com este problema que está a aumentar”, disse, alertando: “Portugal corre o risco de ser, no presente e futuro próximo, o país das crianças tristes”.



A crise também tem levado muitas famílias a não frequentarem as consultas marcadas pelos médicos, com algumas a alegarem não ter dinheiro para o transporte e as refeições que estas deslocações implicam.



O pediatra tem assistido a uma cada vez maior dificuldade das famílias em acompanhar as crianças ao médico, pois receiam que as ausências dos empregos possam fazê-los perder o posto de trabalho.

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