Porque é que os europeus têm pele branca?

A resposta está nos genes de europeus, asiáticos e africanos
4 de outubro de 2013 - 14h38



Uma mutação genética ocorrida há entre 30.000 e 50.000 anos, depois da saída do ‘homo sapiens’ de África, pode ser a causa de os homens do sul da Europa terem a pele clara, segundo um estudo.



A investigação, dirigida por Santos Alonso, da Universidade do País Basco (UPV/EHU), e com base em mais de 1.000 pessoas de diferentes zonas de Espanha, foi publicada na revista Molecular Biology and Evolution, informou hoje a universidade.



Os autores do trabalho explicam que o facto do ser humano ter uma pele mais ou menos escura e uma determinada cor de cabelo é determinado, em parte, pelo gene MC1R, cuja evolução no sul da Europa foi estudada pelos cientistas.



Aquele gene, que regula a síntese da melanina, é muito mais diversificado nas populações euro-asiáticas do que nas africanas.



Segundo o estudo, duas forças evolutivas atuaram sobre o gene MC1R no caso dos europeus do sul, uma pressão seletiva que tende a eliminar as mutações e uma mutação, a V60L, associada à pele clara e aos cabelos louros ou ruivos.



Os investigadores calculam que a mutação surgiu há 30.000-50.000 anos, ou seja, depois da saída do ‘homo sapiens’ de África e que a mudança pode ter sido muito benéfica para a adaptação ao novo ambiente, dado que a pele clara facilita a síntese da vitamina D, o que é necessário num meio onde a radicação ultravioleta é menor, em comparação com África.



“Os nossos dados reforçam esta ideia, mas deve continuar-se a investigar”, disse Santos Alonso, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.



Cancro de pele mais propício na pele branca



No entanto, a mutação também está associada a uma maior suscetibilidade ao melanoma, o tipo de cancro de pele mais perigoso.



“A vitamina D é necessária para o crescimento, é muito importante para a mineralização óssea adequada e o desenvolvimento do esqueleto, enquanto o melanoma é uma doença que aparece no período pós-reprodutivo”, disse a investigadora Saioa Lopez.



Indicando que “a evolução parece favorecer a despigmentação à custa de um maior risco de sofrer de melanoma”, a cientista considerou ser este “o preço a pagar para garantir a sobrevivência da (nossa) espécie”.



SAPO Saúde com agências
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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