População da rede de cuidados continuados é envelhecida, dependente e carenciada

Idosos carenciados, maioritariamente mulheres, com baixa escolaridade e elevada incapacidade e dependência são o retrato da população da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados na região sul do país, segundo um estudo da Ordem dos Enfermeiros.
créditos: LUSA

O estudo da Secção Regional Sul da Ordem dos Enfermeiros (OE) visou caracterizar as 117 unidades de internamento da rede na região sul do país, descrever a sua população e as equipas de enfermagem.

Do total das 117 unidades, 44 aceitaram participar no estudo, tendo a amostra envolvido 1.049 pessoas internadas, com uma média de idades de 74 anos.

Mais de metade (57%) das pessoas internadas na rede têm dependência total e 40% uma dependência leve, moderada ou severa, disse à agência Lusa o presidente da secção regional sul da Ordem dos Enfermeiros, Alexandre Tomás.

Estes dados demonstram que 97% da população que hoje está na rede tem um nível de dependência efetiva para as atividades diárias, adiantou o enfermeiro.

Para Alexandre Tomás, esta realidade “exige um conjunto de cuidados de saúde” e o “reforço de equipas com enfermeiros e enfermeiros especialistas para prevenir um conjunto de complicações e promover a recuperação destas pessoas”.

Observou ainda que 70% das pessoas que estão internadas nestas unidades “têm risco de queda”, o que obriga ao acompanhamento permanente destes doentes.

Quarenta por cento dos utentes têm mais do que uma doença. Destes, 10% têm mais de três patologias, o que significa “uma enorme necessidade em cuidados de enfermagem”, sublinha o estudo.

Nas 44 unidades trabalham 452 enfermeiros, faltando 659 para assegurar os cuidados. Esta situação leva a que os enfermeiros que trabalham nestes equipamentos tenham “um volume de trabalho muito significativo”, disse Alexandre Tomás.

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