Poluição da indústria portuguesa custa três mil milhões em saúde e ambiente

Os custos da poluição do ar, pela indústria portuguesa, poderão ter custado mais de três mil milhões de euros, entre 2008 e 2012, por danos na saúde e ambiente, segundo estudo da Agência Europeia do Ambiente (AEA).
créditos: AFP

"Para Portugal, nos cinco anos [2008/2012], a poluição das instalações industriais custaram à Europa, como um todo, pelo menos 3,320 mil milhões de euros", disse hoje à agência Lusa o especialista da AEA Martin Adams.

Este não é um custo só para Portugal, mas também para os países onde estes poluentes chegam, já que uma das características da poluição do ar é que se espalha por vários locais e não "conhece" fronteiras, acrescentou o responsável pelo grupo de técnicos que acompanha a área da Qualidade do Ar na AEA.

O relatório da entidade europeia, hoje divulgado, analisa as consequências de vários poluentes na saúde, com perdas de vidas, mas também na agricultura ou outros setores, em 29 países.

Na Europa, a poluição do ar por elementos como dióxido de carbono, óxidos de azoto ou poluentes orgânicos persistentes, terá tido custos superiores a um bilião (um milhão de milhões) de euros, entre 2008 e 2012.

Na maior parte das análises, por tipo de poluente, tendo em conta o Produto Interno Bruto (PIB), ou a população, Portugal situa-se no meio da tabela, entre o grupo daqueles países com mais custos, devido ao elevado número de fábricas, como Alemanha, Polónia, Reino Unido, França, Itália ou Roménia, e dos que apresentam valores mais baixos, como Letónia, Malta, Luxemburgo ou Chipre.

Entre as 200 unidades industriais que causam mais danos à saúde e ao ambiente, Portugal aparece citado duas vezes, com duas unidades em Sines: a central termoelétrica (em 125.º lugar) e a refinaria da Petrogal (em 163.º lugar).

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