Poluição atmosférica na Europa mata mesmo nos níveis recomendados

Algumas partículas de poluição são tão pequenas que podem ir parar à corrente sanguínea

10 de dezembro de 2013 - 09h55

Os europeus expostos à poluição de longo prazo provocada por particulas emitidas por veículos e indústrias têm um maior maior de morte prematura, mesmo se a qualidade do ar alcançar os padrões recomendados pela União Europeia, alertou um estudo publicado nesta segunda-feira.

Publicado na revista The Lancet, o artigo apontou para o perigo das finas partículas de fuligem e pó, cujas emissões também representam um problema de saúde em algumas regiões da Ásia, principalmente na China.

Cientistas liderados por Rob Beelen, da Universidade de Utrecht University, na Holanda, analisaram 22 estudos publicados anteriormente que monitoraram a saúde de 367.000 pessoas em 13 países da Europa ocidental.

Os indivíduos, recrutados nos anos 1990, foram acompanhados durante quase 14 anos. Durante o período do estudo, 29.000 pessoas morreram, segundo os dados.

A equipe de Beelen acompanhou todas as áreas de estudo para obter leituras da poluição emitida pelo trânsito entre 2008 e 2011. Para isso, usaram esses dados como base para calcular a exposição de longo prazo de moradores a dois tipos de particulas e dois tipos de emissões de gases.

Levaram em conta fatores como hábitos tabágicos, posição socioeconómica, índice de massa corporal e educação.

A maior fonte de preocupação foi o PM2.5, partículas medindo menos de 2,5 mícrons ou 2,5 milionésimos de um metro. Uma investigação anterior já tinha revelado que o PM2.5 é tão pequeno que pode se alojar nos pulmões, provocando problemas respiratórios e podendo, inclusive, ir parar à corrente sanguínea.

Segundo o estudo, o risco de morte prematura subiu 7% a cada aumento de 5 microgramas de PM2.5 por metro cúbico.

As diretrizes da União Europeia estabelecem uma exposição máxima ao PM2.5 de 25 microgramas por metro cúbico. Mas, mesmo em locais onde os níveis de poluição estavam abaixo disso, houve casos mais recorrentes do que o normal de morte prematura.

SAPO Saúde com AFP

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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