Política de saúde do Governo "antecipa fim de vida de muitos portugueses", avisa PCP

PCP denuncia "transferência da prestação de cuidados de saúde para os grandes grupos privados"

26 de junho de 2014 - 12h51

O dirigente comunista Jaime Toga acusou hoje, no Porto, o Governo de ter uma política na área da saúde que “antecipa o fim da vida de muitos portugueses” e que “favorece os privados”.

“Conseguimos avanços notáveis na qualidade de vida e, até mesmo, na esperança média de vida da população, mas esta política vai-se refletir na próxima década e a médio prazo, designadamente, na diminuição da esperança média de vida, assim como na desertificação e no despovoamento do interior do país”, disse Jaime Toga.

O dirigente do PCP considera que “esta é uma política que mata pessoas e o que se passou na semana passada [demissão em bloco de diretores de serviço no Hospital de S. João] é um alerta, não só para o S. João, mas eu creio que para todo o Serviço Nacional de Saúde (SNS). E a resposta não pode ser à peça, não pode ser apenas para aqueles que ameaçam, tem de ser uma resposta para o SNS”.

Jaime Toga falava à Lusa no âmbito de uma ação realizada junto ao Hospital de S. João, integrada na iniciativa nacional do PCP “Defender o Serviço Nacional de Saúde, garantir o acesso aos cuidados de saúde”, a decorrer esta semana.

“O Governo mantem as ‘swaps’, as parcerias público privadas e os benefícios fiscais, nomeadamente IRC, aos grandes grupos económicos, mas, depois, corta no SNS, na educação e na segurança social. Ou seja, o Governo corta onde não se pode cortar. O que nos dizemos é que é possível outra política desde que se corte no que está a mais e não no que faz falta”, referiu.

O dirigente do PCP disse que o local para realizar esta ação no Porto foi o S. João, por ser “uma grande e importante unidade de saúde na região”, mas acrescentou: “Não ignoramos os desenvolvimentos dos últimos dias neste hospital”.

“Independentemente de questões e opções de gestão ao longo dos últimos anos no Hospital de S. João, eu creio que o que há a retirar dos acontecimentos da semana passada é o motivo que fez despoletar estes desenvolvimentos que é a portaria publicada recentemente pelo Governo e é o facto de os diretores hospitalares dizerem que os cortes têm posto em causa os cuidados de saúde às populações”, sustentou.

Jaime Toga defende que “é preciso interromper de imediato esta política, que é preciso que haja um governo capaz de executar uma política de acordo com a Constituição, capaz de salvaguardar o SNS e de assegurar a abertura dos serviços que entretanto foram encerrados”.

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