Poliomielite reaparece em crianças na Síria e está a preocupar a Europa

Entre 5% e 10% dos doentes com paralisia morrem, quando o aparelho respiratório para de funcionar
11 de novembro de 2013 - 08h16



Dois especialistas alemães em doenças infecciosas lançaram um alerta contra o reaparecimento da poliomielite na Síria, a doença responsável pela paralisia infantil, num artigo publicado na revista médica britânica "The Lancet".



Segundo eles, a doença pode ameaçar países vizinhos e a Europa.



"A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou o aparecimento de pelo menos dez casos de poliomielite na Síria, onde a cobertura de vacina caiu durante a guerra civil", escrevem numa carta aberta os professores Martin Eichner (da Universidade de Tübingen) e Stefan Brockmann (do Departamento Regional de Saúde de Reutlingen).



Com o êxodo de um grande número de refugiados sírios para os países vizinhos do Médio Oriente e para a Europa, existem hoje riscos de que o vírus da paralisia infantil volte a fazer mais vítimas.



Os dois investigadores alertam, sobretudo, para os riscos crescentes de um regresso da poliomielite nas regiões da Europa onde a cobertura de vacina é fraca, como Bósnia, Ucrânia e Áustria.



Para os autores, "vacinar apenas os refugiados sírios, conforme recomendado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, deve ser considerado insuficiente".



Num comentário à parte divulgado no mesmo volume da "Lancet", o especialista britânico Benjamin Neuman (Universidade de Reading) avalia que "a epidemia síria coloca a Europa em perigo", por causa do tipo de vacina utilizada no Velho Continente.



"Uma pequena percentagem de crianças no Reino Unido corre o risco de contrair poliomielite, se forem expostas ao vírus. Até que o vírus esteja completamente extinto, é essencial que se continue a vacinar as crianças", defende o virologista.



Entra pela boca e multiplica-se nos intestinos



A poliomielite é provocada por um vírus que invade o sistema nervoso e pode causar paralisia total em algumas horas. Atinge, sobretudo, as crianças, e pode propagar-se rapidamente nas populações não imunizadas, ao penetrar o organismo pela boca e multiplicando-se nos intestinos.



Entre 5% e 10% dos doentes com paralisia morrem, quando o aparelho respiratório para de funcionar.



No ano passado, 223 casos foram notificados à OMS. Três países - Paquistão, Nigéria e Afeganistão - ainda são considerados como tendo uma poliomietite endémica.



SAPO saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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