Piscinas devem ter avisos "não mergulhar" para evitar acidentes graves

Portugal é dos países que não aderiu à vigilância obrigatória em piscinas públicas
29 de julho de 2013 - 09h43



A Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia alerta para o perigo de mergulhos em locais de profundidade desconhecida, sugerindo que sejam obrigatórios vigilantes nas piscinas públicas e, nas privadas, avisos para “não mergulhar” quando a altura é insuficiente.



Um estudo realizado na época balnear passada em Portugal permitiu, pela primeira vez, fazer um levantamento nacional junto de todos os serviços de ortopedia e neurocirurgia sobre os acidentes de mergulho.



O presidente da Sociedade Portuguesa de Ortopedia, Jorge Mineiro, explicou à agência Lusa que só foram detectados os casos de doentes internados, num total de 17 pessoas, a maioria entre os 14 e os 29 anos.



De acordo com a análise, em metade dos casos os acidentes resultaram em lesões definitivas, atirando as vítimas para uma cadeira de rodas, em estado paraplégico ou tetraplégico.



“Os acidentes ocorreram tanto na costa como em praias fluviais ou em piscinas privadas. É essencial uma campanha de informação no sentido de saberem os riscos de mergulhar para uma água da qual não sabem a profundidade ”, disse Jorge Mineiro.



Por isso, está a decorrer este Verão uma campanha que alerta para os perigos do mergulho em locais desconhecidos, iniciativa que vai passar por algumas praias portuguesas, como acontece no domingo, com a Praia da Vila da Costa, na Costa da Caparica.



“Portugal é dos poucos países que não aderiu à vigilância obrigatória em piscinas públicas. E também não existe qualquer legislação que obrigue as piscinas privadas a terem qualquer sinal de alerta de que nessa piscina não se pode mergulhar porque a profundidade não é suficiente”, adiantou o médico.



Nas piscinas, aliás, o principal causador de acidentes traumatismos vertebro medulares é um mergulho dado em locais com pouca profundidade.



“A nossa proposta, no final do Verão, é, junto das entidades competentes, sugerir que as piscinas públicas tenham vigilantes e que as privadas sem profundidade suficiente tenham escrito no fundo ‘Não Mergulhar”. Pode ser feio, mas é seguro”, declarou Jorge Mineiro.



No mar, os cuidados devem passar também por evitar mergulhos de cabeça, nomeadamente a partir de rochas ou paredões, sobretudo tendo em conta que a maré sobe e desce e que as profundidades vão variando.



“A pessoa tem de estar consciente antes de dar um mergulho. Mais vale saltar de pé e partir um calcanhar do que mergulhar de cabeça e ficar tetraplégico para o resto da vida”, avisou o especialista.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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