Petição contra entrega do Hospital de Barcelos à Misericórdia com 5.000 assinaturas

A recolha de assinaturas vai continuar, esperando atingir as 10 mil até ao final de maio
23 de abril de 2013 - 14h01



A petição contra a anunciada entrega da gestão do Hospital de Barcelos à Santa Casa da Misericórdia já reuniu 5.000 assinaturas, estando assim garantida a discussão do assunto na Assembleia da República, foi hoje anunciado.



O anúncio foi feito, em conferência de imprensa, pelo Movimento de Defesa do Hospital Público de Barcelos, que também se congratulou com a recente substituição do Conselho de Administração (CA) daquela unidade.



Para Isaltina Coutinho, um dos rostos daquele movimento, o CA cessante, presidido por Lino Mesquita Machado, fechou o serviço de Urgência aos fins-de-semana e feriados, "uma decisão grave, que prejudica as populações".



"Lino Mesquita Machada era parte do problema e não da solução", referiu.



O movimento exige que o presidente da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN), Castanheira Nunes, se pronuncie sobre aquela decisão.



"Castanheira Nunes não pode permanecer calado ou entender que pode passar por entre os pingos da chuva relativamente a uma decisão que prejudica a qualidade de acesso aos serviços de saúde da população de Barcelos e Esposende", disse ainda Isaltina Coutinho.



O movimento quer que Castanheira Nunes, que já foi administrador do Hospital de Barcelos e vereador na Câmara da mesma cidade, diga se participou naquela decisão e se ela "é apenas uma peça preparatória da passagem do hospital de Barcelos para a Misericórdia local".



Os ativistas contra a "privatização" do hospital acusam ainda o anterior CA de terem tomado aquela e outras "decisões graves de esvaziamento" do hospital, para o entregarem "leve de encargos" à Santa Casa.



O movimento já pediu reuniões ao novo presidente do CA do Hospital de Barcelos, Fernando Marques, e a Castanheira Nunes.



Entretanto, vai continuar a recolha de assinaturas, esperando atingir as 10 mil até ao final de maio, após o que o documento será remetido para a Assembleia da República.



Em Barcelos, todos os partidos políticos, sem exceção, se pronunciaram contra a entrega da gestão do hospital à Misericórdia.



"Isto dá-nos fundadas esperanças para um resultado positivo aquando da discussão e votação no parlamento", disse Jorge Torres, do mesmo movimento.



O hospital de Barcelos serve cerca de 155 mil pessoas, daquele concelho e de Esposende, tem 120 camas e 500 trabalhadores.



Por ano, admite mais de 5000 internamentos, efetua mais de 73 mil urgências e realiza quase 71 mil consultas externas e perto de 43 mil exames.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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