Pelo menos um quinto das crianças institucionalizadas tem deficiência

Uma em cada cinco crianças institucionalizadas tem uma qualquer forma de deficiência sinalizada, um número que pode estar subavaliado, não havendo uma resposta adequada para estes menores ou para as suas famílias, revela um estudo encomendado pelo Parlamento Europeu.

O estudo, da responsabilidade do Observatório da Deficiência e dos Direitos Humanos (ODDH), foi pedido pelo Parlamento Europeu a Portugal e aos restantes Estados membros para conhecer e avaliar as políticas de cada país para as crianças com deficiência.

Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do estudo apontou que o trabalho revelou um dado “preocupante”, relacionado com o acolhimento das crianças e jovens em risco, existindo “uma percentagem muito elevada” que tem deficiências já identificadas.

“Cerca de um quinto, ou seja, 20% de todas as crianças que se encontravam institucionalizadas em 2013 tinham uma qualquer forma de deficiência sinalizada e os especialistas referem que este número pode estar subavaliado, portanto sabemos que serão mais”, adiantou Paula Campos Pinto.

Número pode ser maior

De acordo com a responsável, o número de crianças e jovens com uma qualquer deficiência e que estão institucionalizados poderá ser ainda maior porque “algumas dificuldades psicossociais são de difícil diagnóstico e permanecem desconhecidas”.

“A legislação portuguesa aponta para a necessidade de rever periodicamente as situações e os planos de acolhimento destas crianças, que estão em acolhimento temporário, mas sabemos que na prática isto não está a acontecer”, apontou a investigadora.

Para Paula Pinto, é “preocupante” que “permaneçam tantas crianças em Portugal institucionalizadas por falta de meios e de medidas que promovam a sua inclusão na sociedade”.

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