PCP lamenta perda de 150 milhões com ida de médicos para o estrangeiro

O secretário-geral comunista lastimou esta quarta-feira a perda de 150 milhões de euros investidos na formação de médicos que emigraram, "a custo zero", para outros países, fruto da "política desgraçada" de ataque ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).
créditos: Lusa

"Não existem médicos a menos. O grande problema é que hoje muitos dos jovens médicos que se formam acabam por partir para o estrangeiro, tendo em conta as condições de trabalho e o estatuto remuneratório que lhes atribuem. Podíamos dizer que, nos últimos tempos, Portugal perdeu cerca de 150 milhões de euros e alguns países receberam-nos a custo zero aquilo que custou ao país a formação desses médicos", disse Jerónimo de Sousa, após encontrar-se com o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), em Lisboa.

O líder do PCP condenou a "política desgraçada" que considera "beneficiar os privados" e "atingir os seus obreiros principais: médicos e enfermeiros", com "consequências dramáticas de saúde, particularmente para os que menos têm e menos podem" - "uma realidade que o ministro da Saúde se recusa a admitir".

"Saíram cerca de 2.000, recentemente, sem entrar um que fosse para uma missão importantíssima, designadamente nas urgências", apontou, referindo-se a assistentes operacionais. Jerónimo de Sousa previu que a situação vai continuar a agravar-se com o aumento da emigração e das reformas dos profissionais de saúde.

Segundo o secretário-geral comunista, houve uma "grande convergência de pontos de vista sobre as causas e efeitos do ataque ao SNS" com o bastonário da OM, José Manuel Silva, salientando, "neste período de inverno, a situação caótica nas urgências, o aumento significativo de mortos, a realidade social e económica" e a degradação das "condições de vida, particularmente os mais velhos e os mais pobres".

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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