Países afetados pelo Ébola estão cada vez mais isolados após suspensão de voos

Nigéria adiou entretanto o regresso às aulas
28 de agosto de 2014 - 09h50



Os três países que se encontram no epicentro da epidemia de ébola no oeste africano estão cada vez mais isolados depois do anúncio da suspensão de mais voos para a região afetada.



A Air France respondeu positivamente à solicitação do governo francês de uma "suspensão temporária" dos voos para a Serra Leoa, deixando a capital, Freetown, e a da vizinha Libéria, Monróvia, com apenas um voo regular, a da Royal Air Morocco (RAM).



"À luz da análise da situação e conforme solicitado pelo governo francês, a Air France confirma que está, no entanto, a manter o programa de voos com destino e origem de Guiné e Nigéria", informou a companhia aérea.



A decisão da empresa francesa ocorreu um dia depois de a britânica British Airways anunciar a suspensão de voos para Libéria e Serra Leoa até 2015, devido ao ébola.



As autoridades lutam atualmente para conter a pior epidemia da História deste vírus causador de uma febre hemorrágica letal, que já matou quase 1500 pessoas desde que eclodiu no oeste de África no início do ano.



Na segunda-feira, o enviado das Nações Unidas para o ébola, o médico David Nabarro, criticou as companhias aéreas que suspenderam as operações em países afetados pela doença.



"Ao isolar o país, fica difícil para as Nações Unidas fazerem o seu trabalho", declarou Nabarro a jornalistas em Freetown.



A Brussels Airlines, que costumava oferecer quatro voos por semana para a Libéria e Serra Leoa e três para a Guiné, também cancelou os serviços de sábado, devido ao encerramento da fronteira senegalesa.



Apenas a companhia aérea marroquina prometeu manter a programação normal de voos: um diário para Conacri, e outro, dia sim, dia não, em média, para Monróvia e Freetown.



Nigéria adia regresso às aulas



Autoridades das Nações Unidas prometeram acelerar esforços contra o vírus mortal, que infetou mais de 2.600 pessoas desde o início do ano.



A Libéria tem sido o país mais afetado, com 624 mortes registadas do total de 1.427 confirmadas. A Guiné, onde o surto foi detetado pela primeira vez, registou 406 mortes; Serra Leoa, 392, e a Nigéria, 5, segundo os mais recentes números da OMS.



Na semana passada, a República Democrática do Congo anunciou que 13 pessoas tinham morrido com sintomas de febre hemorrágica e submeteu a exames dezenas de outras que tiveram contato com as vítimas fatais.



Kinshasa confirmou dois casos de ébola no domingo, mas afirmou que não têm relação com a epidemia atual que castiga o oeste da África.



O ministro nigeriano da Educação, Ibrahim Shekarau, anunciou que as escolas públicas e privadas permanecerão fechadas até 13 de outubro, como medida preventiva para evitar a propagação do ébola. Os estudantes deveriam voltar às aulas a 15 de setembro.



Por SAPO Saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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