Organização Mundial de Saúde quer eliminar até 2030 defecação na rua

OMS estabelece acesso universal a água potável, saneamento e higiene também como prioritários

22 de abril de 2014 - 12h25

A Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs como um dos objetivos de desenvolvimento sustentável do milénio em 2030 que não se defeque ao ar livre, um problema fundamental em países como Índia e China.

Esta é uma das propostas da OMS, avançada pela diretora geral de Saúde e Meio Ambiente, Maria Neira, durante uma jornada internacional sobre os instrumentos para melhorar a água para consumo.

A responsável defendeu a necessidade de eliminar a defecação ao ar livre, um problema que prevalece em países com mais dificuldades socioeconómicas, caso da Índia.

Mas, mesmo países como a China, que registam um grande desenvolvimento económico, persiste "como um desafio para a saúde pública" o problema da defecação, sem qualquer tipo de medida sanitária e higiénica.

Entre outros objetivos mais genéricos, a OMS estabelece o acesso universal a água potável segura, ao saneamento e à higiene, a redução para metade da população cujos lares não têm acesso a água potável ou não é utilizada de forma segura, e eliminar progressivamente a "importante desigualdade" que se verifica quanto ao acesso.

Antes de serem alcançados estes Objetivos do Milénio em 2030, há que cumprir as metas estabelecidas para 2015 e, segundo Maria Neira, as definidas quanto ao saneamento não serão atingidas.

A representante da OMS avançou dados preliminares de um relatório realizado com a UNICEF, agência das Nações Unidas para a infância, que será dado a conhecer a 08 de maio, detalhando o grau de cumprimento atual dos objetivos.

Uma vez que os objetivos traçados para o saneamento não se vão cumprir, serão necessários mais investimentos nesse sentido, defendeu.

Por outro lado, quanto à água potável, a taxa de sucesso do objetivo é de 88%, com cerca de 116 países a alcançá-lo.

Em geral, o acesso a água potável melhorou e há três blocos de países: os do norte, que têm um acesso entre 91 a 100%; um outro grupo que tem entre 76 a 90%, e um terceiro, composto por estados do sudeste asiático e da África subsariana, em que menos de metade da população tem acesso.

Outra peculiaridade é que as mulheres e as crianças, os que mais se ocupam de recolher água, são os mais atingidos pela mortalidade derivada pela falta de acesso a este bem.

Os países parecem reconhecer a importância da água potável: segundo um outro relatório da OMS, mais de 75% dos países considera o acesso a água potável como um direito fundamental.

No entanto, apenas 40% dos países aposta no investimento e em medidas para promover esse acesso.

SAPO Saúde com Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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