Ordem dos Psicólogos defende reforço de profissionais no SNS por causa da crise

Bastonário defende que o número de psicólogos no SNS deve ser o triplo do atual
25 de junho de 2013 - 09h25



A Ordem dos Psicólogos Portugueses defende mais psicólogos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), sobretudo para os centros de saúde, para facilitar o acesso das pessoas às consultas em tempo de crise.



Em declarações à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Psicólogos, Telmo Mourinho Baptista, assumiu que a crise tem afastado as pessoas com necessidade de apoio psicológico das consultas no privado e lembrou que o setor público tem poucas respostas.



"As pessoas não têm poder de compra, por um lado, e não têm acesso [às consultas], por outro, porque o Serviço Nacional de Saúde não satisfaz essa necessidade", vincou.



O bastonário advogou que o número de psicólogos no SNS deveria ser, pelo menos, o triplo do atual, atendendo ao contexto de crise, que, recordou, potencia "o aumento da depressão, da ansiedade permanente, do stress, dos consumos de vários tipos substâncias", como álcool, droga e medicamentos, e "das crises familiares".



De acordo com Telmo Mourinho Baptista, existem atualmente 567 psicólogos a trabalhar no SNS, a maioria nos hospitais. Apenas 151 exercem em centros de saúde, adiantou.



"Nem todos os centros de saúde têm consulta de psicologia ou, então, o utente vai estar à espera meses de uma consulta (...). Isto não é útil para as pessoas", sustentou.



Telmo Mourinho Baptista defende um serviço de apoio psicológico de proximidade, extensível às escolas, onde, alegou, faltam psicólogos, e a gabinetes de atendimento criados por autarquias, exemplificou.



"O país fez um enorme investimento para formar pessoas e os conhecimentos não estão a ser utilizados", frisou, adiantando que o Governo tem invocado falta de recursos financeiros para contratar mais psicólogos.



Ao argumento de escassez de dinheiro, o bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses responde que Portugal estará, no futuro, a pagar "mais caro as consequências": mais baixas médicas e menor produtividade



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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