Ordem dos Médicos impõe recuo ao Ministério ou apoiará greves e mais denúncias

Ordem está preocupada com os cortes no setor e anuncia conferências para denunciar falhas
30 de maio de 2014 - 16h41



A Ordem dos Médicos exigiu hoje, ao Ministério da Saúde, um recuo num conjunto de medidas em curso, como o código de ética ou a classificação dos hospitais, caso contrário apoiará as intervenções sindicais, como a greve.



Lembrando que há mais de dois anos que a Ordem dos Médicos aguarda um “diálogo consequente” com o Ministério da Saúde, o bastonário José Manuel Silva disse, em conferência de imprensa, que “é tempo de dizer basta”.



Para o bastonário, a qualidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) “está a ser posta em causa, não por imposição da 'troika', mas por estratégia do Ministério da Saúde”.



A Ordem está preocupada com os cortes no setor e reclama, por isso, “o financiamento adequado de todas as unidades de saúde, para que seja possível continuar a oferecer a todos os doentes cuidados de saúde qualificados”.



Segundo José Manuel Silva, as administrações hospitalares estão “permanentemente a pressionar as equipas” para estas trabalharem “abaixo dos limites mínimos de segurança”.



Este cenário tem contribuído, segundo o bastonário, para o “estado de exaustão” em que os médicos se encontram, o que levou a Ordem a promover um estudo sobre esta matéria.



“Os médicos estão hoje a trabalhar no limite” e, além disso, estão “fartos de ser vilipendiados e desconsiderados pelo Ministério da Saúde”.



A Ordem anunciou que, a partir da próxima semana, serão realizadas conferências de imprensa semanais para denunciar “as situações de deficiência ou insuficiência que possam pôr em risco a saúde dos doentes”.



Apelou ainda aos médicos para que não aceitem negociar, e renunciem a qualquer tio de contratualização.



Neste Memorando de Exigências, a Ordem reclama o fim das barreiras artificiais no acesso do doente à verdadeira inovação terapêutica.



“O atraso do tratamento dos doentes mais urgentes com hepatite C é um exemplo de desumanidade e falta de ética”, o que, “além das questões humanas, causará no futuro mais despesa ao SNS”.

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