Ordem dos Médicos do Centro “disponível” para apoiar contestação ao Ministério

Reação acontece depois de portaria delegar nos médicos de família temas da Medicina do Trabalho.
27 de maio de 2014 - 14h39



A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) mostrou-se hoje disponível para apoiar "todas as formas eficazes de contestação" ao Ministério da Saúde, que "despreza" os profissionais da saúde.



O Ministério "não ouve as organizações dos médicos nem quer ouvir", criticou Carlos Cortes, presidente da SRCOM, considerando que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, "quer para ele todas as decisões de saúde, sem consultar" as ordens profissionais ou os sindicatos.



"Isto não pode continuar assim", afirmou, referindo que durante a semana serão realizadas reuniões de secções regionais da Ordem dos Médicos e dos sindicatos para se decidirem "formas de contestação contra o Ministério", estando a SRCOM, assim como os conselhos distritais do mesmo organismo, disponíveis para essa mesma contestação.



Para o presidente da SRCOM, Paulo Macedo "decide mal e, em muitas situações, acaba por se arrepender".



"Esse arrependimento é falso e, para nós, não tem valor", frisou, destacando que o ministro "não sabe o que é o setor da saúde".



Exemplo disso, na perspetiva de Carlos Cortes, é a recente portaria que pede "que médicos de Medicina Geral e Familiar exerçam competências que são da responsabilidade de outra especialidade", neste caso de Medicina do Trabalho.



"Isto foi feito à revelia da Ordem e dos sindicatos", contou o presidente da secção regional, referindo que já foi pedido um parecer aos Colégios da Especialidade de Saúde Pública, de Medicina Geral e Familiar e de Medicina de Trabalho, e que irá ser elaborado um pedido de revogação da mesma portaria.



Esta portaria irá levar a "uma ainda maior sobrecarga de trabalho de médicos de Medicina Geral e Familiar".



Para além desta portaria, há também a questão da "reforma hospitalar, da retirada de todas as competências da Ordem no internato médico", dos profissionais que "são empurrados para o estrangeiro" e, mais recentemente, a proposta de um "Código de Ética da Saúde" - projeto de despacho elaborado pelo ministério.

Comentários