Ordem dos Médicos denuncia elevadas listas de espera em Trás-os-Montes

Problema estende-se a Vila Real, Chaves, Régua e Lamego
21 de julho de 2014 - 16h01



O Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRN-OM) denunciou hoje listas de espera que "ultrapassam largamente os tempos clinicamente aceitáveis", no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), em Medicina Física e Reabilitação.



Em conferência de imprensa, o presidente do CRN-OM, Miguel Guimarães, disse que "as listas de espera para tratamentos fisiátricos têm aumentado de forma substancial nos últimos anos, em todas as unidades do CHTMAD".



O CHTMAD concentra os hospitais deVila Real, Chaves, Régua e Lamego.



Esta situação deve-se, denunciou o CRN-OM, a "falta de contratação de profissionais, nomeadamente de técnicos de fisioterapia, terapeutas da fala e terapeutas ocupacionais".



Os dados apresentados hoje indicam que, em fisioterapia, existem 255 doentes em espera em Vila Real, 539 doentes em Lamego e 107 doentes em Chaves.



Em terapia da fala são 61 doentes em espera em Vila Real, 52 em Lamego e 127 em Chaves, enquanto em terapia ocupacional são 11 doentes em Vila Real, nove em Lamego e sete em Chaves.



"Existem doentes que estão alguns anos à espera do tratamento prescrito na consulta", indicou o CRN-OM, tendo Miguel Guimarães acrescentado que "esperas aceitáveis em casos de situações agudas [urgentes como por exemplo Acidentes Vasculares Cerebrais, Paralisia Cerebral e crianças] é de uma semana" e "um mês em outros casos".



"Neste momento os atrasos chegam a três anos", disse o responsável do CRN-OM, segundo o qual "o CHTMAD está a recusar, atualmente, consultas de fisiatria a doentes não agudos".



Contactado pela agência Lusa, o CHTMAD referiu que o tempo de espera médio para consulta de medicina física em todas as unidades do centro hospitalar é de 36 dias.



A unidade hospitalar reconhece algumas dificuldades pontuais nesta área devido a algumas ausências de técnicos de fisiatria, o que disse que tem levado a um aumento dos tempos de espera para início de alguns tratamentos.



Para minimizar estas situações, por exemplo, começou a trabalhar no Hospital de Lamego, no início de junho, um técnico de fisiatria.



Na conferência de imprensa, em resposta a questões dos jornalistas, Miguel Guimarães disse que, quanto a transferências para outros hospitais, nomeadamente para o Centro de Reabilitação do Norte que abriu em fevereiro deste ano em Vila Nova de Gaia, "talvez os diretores dos hospitais poderão explicar essa questão".



Em resposta, relativamente à transferência de doentes, o CHTMAD diz "cumprir o que está previsto nas regras e procedimentos de referenciação de doentes". A fonte salientou, ainda que sempre que clinicamente se revela necessário, os pacientes são enviados para outras instituições.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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