Onda de calor no verão fez 1700 mortos em Portugal

Nas últimas duas décadas, o país tinha registado três ondas de calor: em 1981, em 1991 e em 2003
4 de novembro de 2013 - 11h01



Entre os números de idas às urgências e chamadas para o INEM e para a Linha Saúde 24, vários dados indicam que a onda de calor observada em Portugal entre o 23 de junho e o 14 de de julho teria tido efeitos num excesso de mortalidade.



Um relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS) veio agora confirmar que se estima que tenham morrido 1684 pessoas na sequência das temperaturas elevadas.



Nas últimas duas décadas, o país tinha registado apenas três ondas de calor: em 1981, em 1991 e em 2003. Na primeira morreram 1900 pessoas, na segunda 1000 e na terceira 1953.



Considera-se que há uma onda de calor quando a temperatura está acima da média para a altura do ano durante mais de seis dias consecutivos.



Os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera indicam que houve uma onda de calor entre os dias 22 e 30 de Junho, em particular na região Centro, e que variou de sete a nove dias. No dia 3 de Julho veio uma nova onda de calor, que ficou até dia 13, sobretudo na região de Trás-os-Montes.



O relatório da DGS conclui que a onda de calor teve “um impacto apreciável na saúde da população”.



Em termos gerais, os quase 1700 mortos correspondem a mais 30% do que seria normal para aquela altura do ano.



No geral, a procura das urgências cresceu 7,7% entre 23 de junho e 14 de julho em relação ao mesmo período de 2012. Contudo, registaram-se grandes assimetrias regionais, com o Alentejo a ter uma subida de 9,6%, o Centro com 9,5%, Norte com 7,5%, Algarve com 5,8% e Lisboa e Vale do Tejo com 5%.



As chamadas para a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) também cresceram 4,4% no mesmo período.Por seu lado, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) também registou mais 27,8% de ocorrências. “Salienta-se que as ocorrências designadas por ‘alteração de estado de consciência’ e ‘dispneia’ sofreram acréscimos de 42,4% e 24,6%, respectivamente”, sublinha a DGS.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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